Maracujá Calmante?

Maracujá Calmante?

Contrário ao que muitos pensam, o fruto da paixão não é calmante. Estou aqui observando os frutos do verão. As ramas cheias de maracujás, pendem do muro da vizinha. Generosidade. Vou saborear frutos que não plantei. “Mas, para a surpresa de muitos, o benefício mais comum associado à fruta é um mito: o maracujá não possui propriedades calmantes. “O suco de maracujá não causa sonolência nem promove relaxamento. Ele acaba sendo associado a estes sintomas por estar relacionado à passiflora, nome medicinal da planta maracujá. As substâncias presentes nas folhas podem tranquilizar e dar sono, mas os compostos presentes na fruta não têm o mesmo efeito”, esmiúça a nutricionista Lidiane Santana.
Portanto, só é correto dizer que o efeito calmante está no chá preparado a partir das folhas do fruto.” #processo #frutosdoquintal #maracuja #abundancia #casaejardim #biancaalves #lidianesantananutricionista

Temperos da Escrita

Temperos da Escrita

Exercício Contemplativo 8

Memória: o tempero da escrita
Por Ida Mara Freire

“Um dia de inverno, ao voltar para casa, vendo minha mãe que eu tinha frio, ofereceu-me chá, coisa que era contra os meus hábitos. A princípio recusei, mas, não sei por que, terminei aceitando. Ela mandou buscar um desses bolinhos pequenos e cheios chamados madeleines (…) No mesmo instante em que aquele gole, envolto com as migalhas do bolo, tocou o meu paladar, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção da sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferente as vicissitudes da vida, inofensivos os seus desastres, ilusória a sua brevidade, tal como o faz o amor, enchendo-me de uma preciosa essência: ou antes, essa essência não estava em mim; era eu mesmo.”

Aqui estou descobrindo as memórias sensoriais de Marcel Proust em suas descrições dos bolinhos, chamados de madeleines, na sua obra “Em busca do tempo perdido.” E pergunto quem não se lembra do aroma de canela salpicada no bolinho de chuva? A atmosfera da casa fechada, transmitia proteção e acolhimento, o chiado do mergulho da massa na panela com óleo quente, a curiosidade infantil diante daquela mutação deliciosa contrastava com a preocupação materna ao alertar para não ficar próximo do fogão. Quais são suas memórias despertadas pelo seu paladar? Como elas podem temperar a sua escrita?

Para ler: Em busca do tempo perdido v.1 Marcel Proust – Tradução Mario Quintana

Para saborear com os olhos fechados: prepare um delicioso chá e experimente fazer as madeleines ou outro bolinho, biscoito que você gosta.

Para escrever: Descreva sua experiência gustativa usando a descrição de Marcel Proust das madeleines, como modelo. Empreste memórias de outros sentidos para expandir os detalhes, lembre-se de descrever o cenário onde o alimento é degustado e aspectos do ambiente que contribuem para o seu deleite.