
Ela caminha na praia, após deixar a filha na escola. Uma manhã outonal. A areia fofa convida para ser sentida de corpo inteiro. Ela tira as sandálias ao se aproximar da água.\nMolha os pés renova-se no mesmo instante.\nO sol, o mar, a ilha, a montanha, as dunas, realidade pura a sustentar seu lento caminhar.\nÉ assim que ela percebe que está viva.\nO corpo está mais leve. Avalia.\nNota a dificuldade de caminhar no ritmo lento ao se perceber diante da vastidão da praia,\no barulho das ondas,\na memória dos passos ligeiros já apagados em seu vago pensar…\nDesacelera.\nBusca apoiar o olhar.\nNo pássaro, na concha, na rocha em alto mar.\nO passo se afunda, a medida que água inunda o caminhar e os pés ficam sem base firme para o corpo equilibrar.\nUm novo mês, um novo ano, um novo projeto: Um dia, uma página.\nQual será o seu próximo passo?\nhttps://youtu.be/n5sMk2obxvE\nO gosto dos caminhos recomeçados\n”O que te peço, Senhor, é a graça de ser.\nNão te peço sapatos, peço-te caminhos.\nO gosto dos caminhos recomeçados, com suas surpresas e suas mudanças.\nNão te peço coisas para segurar, mas que as minhas mãos vazias se entusiasmem na construção da vida.\nNão te peço que pares o tempo na minha imagem predileta, mas que ensines meus olhos a encarar cada tempo como uma nova oportunidade.\nAfasta de mim as palavras que servem apenas para evocar cansaços, desânimos, distâncias.\nQue eu não pense saber já tudo acerca de mim e dos outros.\nMesmo quando não posso ou quando não tenho, sei que posso ser, ser simplesmente.\nÉ isso que te peço, Senhor: a graça de ser de novo.”\n[José Tolentino Mendonça, Um Deus que Dança]\n \n

