Escrever para quê?

Escrever para quê?

“Apaixonado pelo silêncio, o poeta não tem outro recurso senão falar.” Octavio Paz

Se você já participou de alguma oficina comigo,  sabe que eu escrevo diários desde meus treze anos de idade, são muitos os cadernos que registram minhas memórias corporais, sensoriais e afetivas. Provavelmente, você pode estar se perguntando: Para que servem  esses registros?

Vou  te responder destacando três ações que tenho apreendido dos meus diários.

1) Os registros em meus diários servem para Criar.  Quando  estou passando por um momento difícil, pergunto-me: Já passei por uma fase parecida como essa? Como  lidei com esse problema? Então,  eu leio o diário desse período com atenção. Reflito. Em seguida, tento agir de uma maneira diferente e  criativa. Escrevo e danço com as palavras.

2) Os registros de minhas memórias  servem para Espelhar.  Pois os registros também espelham meus padrões mentais. Percebo na escrita as palavras que se repetem, os verbos mais utilizados, as partes do corpo mais citadas ou ausentes nas descrições. Diante  do espelho dos pensamentos transcritos na folha de papel ganho discernimento para equilibrar minha mente.

3) Os registros escritos servem para Perdoar. Quando escrevo ponho tudo no papel, sem censura. Escrevo, escrevo às vezes sem parar. Expresso tudo que sinto, seja o que for. Afetos e desafetos. Nessa escrita que,  às vezes, é um grito de alegria, um choro,  uma dor profunda, um silêncio,  uma raiva contida, tudo se torna uma esperança bem-vinda  onde abro espaço para perdoar,  transformar o medo e ousar também me amar.

O e-book Diário Corpografias ensina você passo a passo a registrar criativamente  vários aspectos  da sua experiência de vida.  Com isso você irá exercitar a sua criatividade, ter mais consciência do seu processo mental, e inspiração para cultivar a  paz interior.  Quando somos criativos conseguimos ter mais liberdade de expressão.  O  conhecimento do nosso processo mental descortinado na escrita, favorece a escolha de  viver em um nível mais consciente, e deixarmos de ser levados por ações inconscientes. A experiência dupla do perdão, perdoar os outros e perdoar a nós mesmos é um passo fundante da paz interior.  O e-book Diário Corpografias têm como proposta despertar a sua sensibilidade, celebrar a sua experiência de viver e abrir seu coração para ser uma pessoa que  ama e é amada.

Para  inspirar você fazer os exercícios estou criando um grupo fechado para acompanhar a realização das atividades do diário e propiciar a troca entre  as pessoas participantes.  Será muito bom apreciar de perto seu processo criativo.

Se você já adquiriu e já baixou seu e-book “Diário Corpografias”  cadastre-se e participe do grupo:  https://www.facebook.com/groups/344250886278201/

Apresente-se e divirta-se!

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Aproveite o desconto que acaba dia 01/12/2019.

Se você tiver em sua mente e  no seu coração alguém que poderia se beneficiar com esse email, por gentileza, compartilhe.

Enquanto isso contemple as palavras de Rupi Kaur:

“no dia em que você tiver tudo

espero que ainda tenha

memória  de quando não  tinha”

Abraços com Alegria,

Ida Mara

Livro: A duração da dor

Dança e Perdão

A África do Sul escolheu seguir, como corpo nacional, um caminho longo, íngreme e insólito chamado reconciliação, tendo como líder Nelson Rolihlahla Mandela. Madiba, como era carinhosamente chamado o pai da nação sul africana, acreditava que para as pessoas negras, oprimidas, serem livres era necessário que as pessoas brancas, opressoras, também o fossem. Para isso, concordando com seu amigo Desmond Tutu, reconheceu que era necessária a escolha do perdão.

Em 1976, no Brasil, ao ouvir, ver e ler as notícias da África do Sul, eu menina, me identificava com as meninas da África do Sul, e mesmo à distância, como uma personagem coadjuvante, participava do drama de algumas e do trauma de muitas outras. Os frágeis corpos negros sendo alvejados é uma imagem que me assombra até hoje. Mas ver um grupo de estudantes uniformizados dançarem toyi-toyi na linha de frente, no confronto com policiais, observar seus passos destemidos diante da morte me intrigava. Que dança é essa?

Essa pergunta me levou para a África do Sul. Em Soweto deparei-me com a arquitetura do apartheid. Caminhando de mãos dadas com a minha filha pelas ruas da Cidade do Cabo, tentei observar como o gesto do aperto de mãos entre Mandela e De Kleck era imitado pela comunidade sul-africana.

Instalada na Faculdade de Dança da UCT University of Cape Town, acompanhei a vida dos estudantes e dançarinos que por ali estavam em ensaios, aulas, estudos, pesquisas e apresentações. Após um período de oito meses de imersão etnográfica, comecei a escuta das vozes do silêncio. Convidei dançarinos de diferentes modalidades [dança africana, indiana, comunitária, balé clássico]; e líderes espirituais de religiões distintas [africana, cristã, islã e judaísmo] para falarem de suas experiências com o toyi-toyi, o perdão, o silêncio e a criança como metáforas da esperança.

Essa escuta revelou um rico repertório de depoimentos, informações e confissões. O que fazer com essas palavras? Relatos? Relatórios? Artigos? Vieram ensaios, danças e conversas dançadas. E, agora, apresento aqui o meu ritual de iniciação na literatura: ficcionar poeticamente a dura realidade do apartheid.

Dez personagens centrais, entre eles estão dançarinas, professores, policiais, mães, líderes espirituais, jovens, pessoas cujas vidas são marcadas pelo regime do apartheid e que tentam juntar as peças para compreender os desafios da reconciliação. Para uns, o perdão se configura como o primeiro passo para se reconciliar consigo mesmo. Para outros, o perdão se apresenta como a possibilidade de assumir um compromisso com o ser no mundo.

Cada personagem apresenta seus dilemas psicológicos, filosóficos, espirituais, intelectuais, políticos, afetivos, artísticos e existenciais que envolvem a vida e a morte. O que se põe a ver é a vida com seus desafios, que simultaneamente oferece a cada ser atitudes criativas e contemplativas no corpo, na dança e na meditação, espaços sagrados para a reconciliação. Desses lugares redescobrimos a alegria, a liberdade e a compreensão.

O conto “A duração da dor, primeiro volume da série “Dança e Perdão” convida a leitora e o leitor para uma jornada criativa acerca das possibilidades do perdão.

Sinopse

Na última década do regime apartheid na África do Sul, Sharmila Rama, ainda uma menina, testemunha o violento evento conhecido como Cavalo de Troia que ocorre em Atlone, subúrbio da Cidade do Cabo. Dez anos depois, no silêncio do seu quarto, enquanto tenta acender uma lamparina, atormenta-a a culpa por ter negado ajuda para Indra Kallil, seu primo e melhor amigo, minutos antes de ele ser morto no confronto entre estudantes e policiais. Kawany Maal, sua professora de dança clássica Odissi, a ajuda a buscar no Sagrado a compreensão da sua fenomenologia da dor. A dança e a meditação são as fontes de sabedoria através das quais ela ilumina a razão para perdoar a si mesma e avivar a chama da alegria de viver.

Comentários das Leitoras

“ Fiquei muito entusiasmada com a leitura. Quanta sensisibilidade e potencial na sua descrição… Ao percorrer os escritos fui tomada pela vida, pela dor e angústias de Sharmila, mas igualmente pela busca do lugar do perdão….e, a dança de forma singular, arrastando-a para as alegrias da vida! Confesso que me encontrei muito nessa passagem…
‘Quando está a dançar sente-se chamada pelo seu nome…’ Quanta lindeza !!!”

Danieli Alves Pereira Marques [Doutora em Educação Física pela UFSC. Professora efetiva da Universidade Estadual de Roraima (UERR). Atua na área de dança e educação, corpo e linguagem]

“Enternecedor!!!! Uma ponte construída entre a África e a Índia, com uma intensidade delicada e escrita primorosa.
E sobre a dor… assim como a dança Odissi é uma importante parte dos rituais diários de adoração, a dor faz parte da essência humana.
É admirável como conseguiu transcrever com leveza e “beleza” este sentimento que as vezes escondemos tanto. Acredito que a dança e a meditação sejam o veículo para essa compreensão e (in)diretamente para a compreensão de si mesmo, e foi exatamente o que senti lendo seu conto.
Confesso que me vi na menina Sharmila em alguns momentos…
Lembrei de Gibran:
“… e passaríeis com serenidade os invernos das vossas mágoas. Muita da vossa dor é escolhida por vós. É a poção amarga com a qual o médico dentro de vós cura o vosso interior doente.”
Lindo conto! Uma poesia para se falar da dor e das transformações interiores que este sentimento traz!”

Adriane Martins [Professora de Dança e Dançarina de Dança Indiana]

Participe do Lançamento: 

Barca dos Livros dia 18/10/2018 – das 19h às 20:30.

O desafio do Perdão

O desafio do Perdão

Foto e texto por Ida Mara Freire

Estou aqui impactada com a leitura do livro da  jornalista e escritora ucraniana Svetlana Aleksiévith, vencedora do  prêmio Nobel de literatura 2015.  Um título sugestivo: A guerra não tem rosto de mulher.

Em suas palavras:

“Não estou escrevendo  sobre a  guerra, mas sobre o ser humano na guerra. Não estou  escrevendo a história  de uma guerra, mas  história dos sentimentos. Sou uma historiadora da alma.”

Nas palavras de suas entrevistadas:

“Eu era atiradora  de metralhadora . Matei  tanta gente… Depois da guerra passei muito tempo com medo de engravidar. Engravidei quando acalmei. Sete anos depois… Mas até hoje não perdoei nada. Eu não vou perdoar… Ficava feliz quando via os prisioneiros alemães. Feliz com a situação lamentável em que estavam: trapos enrolados nos pés em vez de botas, trapos na cabeça… Atravessavam o vilarejo e pediam: ‘Mãe, me dê pão. Um pouco de pão…’ Fiquei surpresa de ver que os camponese saíam das cabanas e davam – um pedacinho de pão, uma batatinha… Os meninos corriam atrás da coluna e jogavam pedras… e as mulheres choravam… Acho que vivi duas vidas: uma como homem, outra como mulher…”

Nas minhas palavras:

Ao escrever quase que  diariamente sobre o perdão, quando deparo-me com um depoimento como dessa atiradora, a pergunta que me ocorre é saber:  onde habita a dor do outro em meu corpo?