A  arte  de dançar suas memórias corporais

A arte de dançar suas memórias corporais

“Há um jogo entre a vacilação do começo e a certeza do fim. Parece que esse novo corpo, inutilmente sensível, como que mutilado e sem forma, possa manter-se vivo. Cada vez que se começa, esquece-se de que o conto, se sua existência é justificada, já traz em si sua forma perfeita, e que só cabe esperar vislumbrar nesse começo indeciso o seu visível mas, talvez, inevitável final”.

“A arte de narrar [dançar] é uma arte da duplicação; é a arte de presentir o inesperado; de saber esperar o que vem, nítido, invisível, como silhueta de uma borboleta contra a tela vazia.

Surpresas, epifanias, visões. Na experiência renovada dessa revelação que é a forma, a literatura tem, como sempre, muito que nos ensinar sobre a vida”.

Palavras  que empresto  de Ricardo Piglia,  em seu livro Formas Breves, uma das leituras que faremos no transcorrer do nosso curso:

DANCE & ESCREVA
SUAS
MEMÓRIAS CORPORAIS

CURSO DE DANÇA E ESCRITA CRIATIVA EM QUATRO ESTAÇÕES

Descrição:

Esse curso tem a duração de quatro estações e é estruturado para ensinar você a reconhecer os padrões  de movimento e de pensamento que bloqueiam a sua liberdade de expressão.

Colhendo os frutos do verão, eu te  encorajarei na descoberta dos padrões de movimento que limitam seu modo de se expressar no mundo.

Durante o outono nós vamos identificar juntas, quais seriam suas perguntas existenciais, e ao escreva-las você terá mais clareza mental para reconhecer seus padrões de pensamento.

Nos meses outonais vamos esboçar seu diário temático que te auxiliará  no registro de suas memórias corporais, isso poderá ser o primeiro passo para você se reconciliar com o seu passado.

No inverno irei te apoiar oferecendo uma sequência de exercícios de desenhos vinculados  com a caixa de palavras e a dança, de modo que você possa  expressar suas emoções, mudar e ampliar seu vocabulário de movimento.

Com  a chegada da  primavera nós vamos aprofundar a relação  com o outro, com a proposição exercícios  de percepção que te ajudem a transformar sentimentos de vergonha, timidez; te orientarei em como desvelar pela escrita as possibilidades do ver e os mistérios de ser vista.

Nada como se preparar para o verão  compreendendo  suas memórias corporais, pronta para cultivar a liberdade de escolha; E disposta para aprender a Dançar sua História…

Benefícios:
* Expressar-se criativamente tendo como base a transformação de suas memórias corporais;
* Apreciar seus próprios movimentos;
* Criar e escrever seu diário temático;
* Cultivar a alegria e a liberdade de expressão.

Transforme:

* Sensação de estagnação;
* Bloqueio criativo;
* Vergonha ou timidez;
* Receio de mudar;
* Falta de ânimo para lidar com os detalhes;
* Confusão mental;
* Experiências negativas passadas.

Descrição do Processo Criativo

Duração: 10 meses
Frequência: 3 encontros presenciais mensais
Dia e horário: Quarta-feira das 10:30 às 12hs.
Local: Estação Corpo – Rio Tavares

Atividades Personalizadas:
Receba orientação Específica para sua transformação.

Conteúdo:
# O movimento escrito pelo corpo;
# A escrita da dança;
# Descubra, Explore, Mude e Transforme seus padrões de movimento;
# Indague, Desenhe, Revele e Escreve seus padrões de pensamento;
# Dance, Escreva, Crie e Libere a história que surge de suas memórias corporais;

Inclui:
[30] Encontros Presenciais em Grupo, com duração de 90 minutos cada;
[10] Momentos (não presenciais) de Integração de Aprendizagem;
[10] Meses de Interação Fórum no Grupo Fechado no Facebook;
[30] Folhas com o Resumo de cada encontro e sugestão de atividades;
[01] Plano de Ensino e Cronograma detalhado de todo curso;

Transformação em Grupo:
Grupo com até 6 participantes; ambiente amistoso, sensível e seguro.

O que vestir:
Roupa confortável de acordo com as estações e para movimento no chão, pés descalços ou meia antiderrapante.

O que trazer:
Um caderno brochura de capa dura sem pauta, para desenho e escrita, canetas coloridas e lápis de cor, giz de cera, etc.
Outros materiais serão solicitados no transcorrer do curso.

Investimento:

* • Contrato do curso completo em grupo.
* • Contrato por módulo em grupo.
* • Contrato por dia em grupo.
* • Contrato do curso completo individual.

Formas de pagamento:
Pagamento Antecipado. Depósito programado em conta corrente, cheque ou dinheiro;
O pagamento mensal, com vencimento até o dia 5 de cada mês.
Faça sua matrícula no dia da Aula Aberta e ganhe desconto na primeira parcela.
Participantes que completaram as Jornadas tem bônus no valor de R$100,00.

Parabéns por assumir a responsabilidade pelo seu crescimento pessoal. Estou aqui para apoiar e encorajar você a dançar e liberar a história que surge de suas mãos…

Curso Ministrado por Ida Mara Freire, dançarina e escritora; Pós-doutorado em Dança, UCT, África do Sul; Doutorado em Psicologia, USP. Escreve ensaios e críticas acerca da dança, vários publicados no Jornal Notícias do Dia; autora do blog: Dance sua História e dos e-books: Jornadas Inacabadas… e To see or not to see: dance as a perceptive journey.
Página: www.idamarafreire.com.br
E-mail: idamara@idamarafreire.com.br

Espaço Corpo
Rua Elpídeo da Rocha, 89.
Rio Tavares – Lagoa Pequena – Florianópolis/SC
Telefones:
(48) 3234-0901
whatsapp (48) 99128-4200

3# Segredos para você ser percebida enquanto fala

3# Segredos para você ser percebida enquanto fala

IdaMaraFreire – Foto Acic

Quando você está falando as pessoas estão prestando atenção em você?  Se  você não enxerga como saber isso? Na Conversa Dançada ocorrida na ACIC – Associação Catarinense de Integração do Cego, no final do mês de agosto, as pessoas participantes comentaram sua experiência de algumas vezes as pessoas sairem da sala sem avisarem e elas continuam falando,  literalmente, para as paredes.  Como isso  pode ser evitado?

Muitas vezes isso pode acontecer, primeiro, por esquecimento do interlocutor, ele não se lembra que a pessoa que ele está falando não está vendo que ele está a sair do local.  Outras vezes, podemos manter uma conversa, apenas para  mostrar ao outro que estamos presentes, se estamos no silêncio, em um lugar movimentado como saberemos se o outro, que não vê, vai perceber nossa presença?

No contato com pessoas com cegueira uma das questões apresentadas é acerca de como a pessoa que não vê é vista pelo outro.  As pessoas com cegueira, com baixa visão, ou  não visual, esses são os termos  que uso, pois, como tenho estudado, não se trata só de neologismo, a cegueira é uma experiência perceptiva do mundo, muito além daquilo que expressa o termo “deficiência  visual”,  usado comumente para identificar e categorizar esse grupo social.

Com o intuito de facilitar a comunicação entre as pessoas com e sem cegueira, proponho a Conversa Dançada   #3 segredos para você ser percebido enquanto  você fala.

Vamos explorar como nosso corpo pode nos ajudar  a estarmos presentes em nossas conversas e perceber o fluxo de diálogo com as pessoa que estamos a conversar.

#1  Lembrar-se de um episódio

Para estabelecer  uma conversa que desperte interesse da pessoa presente,  busque em seu corpo experiências que você consiga lembrar por inteiro, ou seja, com começo, meio e fim. Isso é, acesse sua memória episódica.

Por exemplo, Márcio relata: “No domingo ensolarado,  fiz um passeio  maravilhoso na praia.”

# 2 Usar palavras fortes.

Diga palavras que fazem sentido para você. Com isso estamos acessando nossa memória semântica.

#3 Perceber a emoção.

Reconhecer um sentimento  é aplicar um juízo em uma emoção. Desse modo acessamos a estética das emoções.

 

Em nossa Conversa Dançada, ouvimos a música “De volta ao Começo” cantada por Nana Caymmi; para acessarmos nossa memória episódica.

Identificamos  as palavras fortes:

“Saúde, Alegria, Sol,  Paz, Música, Passeio, Compromisso, Amor,  Agradecer, Amizade, Reflexão, Olhar”

Destacamos o movimento da voz ao  pronuncia-las;

Dançamos buscando aplicar ou identificar nos movimentos  a estética das emoções.

Ao terminar nossa Conversa Dançada –  apreendemos  em nossa experiência que “estar de corpo inteiro presente numa conversa exige uma escuta atenta de si, muita tranquilidade ao falar,  paz consigo mesmo e com os outros e isso faz  transparecer a segurança.”

E você quando está numa conversa quais são seus segredos para perceber o outro e ser percebida por ele atentamente?

 

 

Temperos da Escrita

Temperos da Escrita

Exercício Contemplativo 8

Memória: o tempero da escrita
Por Ida Mara Freire

“Um dia de inverno, ao voltar para casa, vendo minha mãe que eu tinha frio, ofereceu-me chá, coisa que era contra os meus hábitos. A princípio recusei, mas, não sei por que, terminei aceitando. Ela mandou buscar um desses bolinhos pequenos e cheios chamados madeleines (…) No mesmo instante em que aquele gole, envolto com as migalhas do bolo, tocou o meu paladar, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção da sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferente as vicissitudes da vida, inofensivos os seus desastres, ilusória a sua brevidade, tal como o faz o amor, enchendo-me de uma preciosa essência: ou antes, essa essência não estava em mim; era eu mesmo.”

Aqui estou descobrindo as memórias sensoriais de Marcel Proust em suas descrições dos bolinhos, chamados de madeleines, na sua obra “Em busca do tempo perdido.” E pergunto quem não se lembra do aroma de canela salpicada no bolinho de chuva? A atmosfera da casa fechada, transmitia proteção e acolhimento, o chiado do mergulho da massa na panela com óleo quente, a curiosidade infantil diante daquela mutação deliciosa contrastava com a preocupação materna ao alertar para não ficar próximo do fogão. Quais são suas memórias despertadas pelo seu paladar? Como elas podem temperar a sua escrita?

Para ler: Em busca do tempo perdido v.1 Marcel Proust – Tradução Mario Quintana

Para saborear com os olhos fechados: prepare um delicioso chá e experimente fazer as madeleines ou outro bolinho, biscoito que você gosta.

Para escrever: Descreva sua experiência gustativa usando a descrição de Marcel Proust das madeleines, como modelo. Empreste memórias de outros sentidos para expandir os detalhes, lembre-se de descrever o cenário onde o alimento é degustado e aspectos do ambiente que contribuem para o seu deleite.