Orar pelos amigos e inimigos

Orar pelos amigos e inimigos

Estou aqui olhando para Dalai e Lama e Desmond Tutu, esses dois amigos e líderes da Paz, busco inspiração  para agir. Pergunto para você: Quem está inspirando o seu voto nessas eleições? O medo ou amor?  A paz ou a violência? 

Recordo que durante uma entrevista o Dalai Lama falando sobre sua experiência como chefe de estado, ele nos recomenda a oração pelos nossos amigos e pelos nossos inimigos, pois não sabemos sobre o dia de amanhã, quando o seu melhor amigo pode ser tornar seu inimigo, e o seu inimigo pode se tornar seu melhor amigo.  

‘Se seu relacionamento com outra pessoa está passando por um período de dificuldades, a outra pessoa pode desejar unir-se a você em oração. Mesmo que ele ou ela não o desejem, ainda assim a oração é a resposta.’ Sugere Marianne Williamson, em seu livro de preces Illuminata. Se uma pessoa convidar o Espírito de Deus a entrar em alguma circunstância, então o Espírito Dele se manifestará.

Deus amado 

Rogamos-Vos, revelai Vosso amor a nós, no momento ele está obscurecido.

Dai-nos a paz e a saúde, pois estamos perdidos nas trevas do conflito e da separação. 

Entregamos a Vós nossas agressões e defesas. 

Entregamos todas as impressões que trazemos do passado.

Entregamos a Vós nossas posições e objetivos. 

Rogamos-Vos, ajudai-nos a enxergar o amor.

Rogamos-Vos, trazei-nos de volta ao caminho da paz. 

Purificai nossas mentes de todos os pensamentos que não sejam de auxílio.

Que nosso relacionamento renasça através de Vosso Espírito e de vossa graça.

Pedimos desculpas por …( diga o seu conflito).

Perdoamos as seguintes faltas: …(diga quais são).

Rogamos-Vos, limpai nosso caminho para que possamos enxergar  novamente a luz que é o nosso amor um pelo outro. 

Damos-Vos graças do fundo do coração. 

Amém.’

Escute o podcasts para cultivar um coração compreensivo:

https://anchor.fm/ida-mara-freire

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Livro: A duração da dor

Dança e Perdão

A África do Sul escolheu seguir, como corpo nacional, um caminho longo, íngreme e insólito chamado reconciliação, tendo como líder Nelson Rolihlahla Mandela. Madiba, como era carinhosamente chamado o pai da nação sul africana, acreditava que para as pessoas negras, oprimidas, serem livres era necessário que as pessoas brancas, opressoras, também o fossem. Para isso, concordando com seu amigo Desmond Tutu, reconheceu que era necessária a escolha do perdão.

Em 1976, no Brasil, ao ouvir, ver e ler as notícias da África do Sul, eu menina, me identificava com as meninas da África do Sul, e mesmo à distância, como uma personagem coadjuvante, participava do drama de algumas e do trauma de muitas outras. Os frágeis corpos negros sendo alvejados é uma imagem que me assombra até hoje. Mas ver um grupo de estudantes uniformizados dançarem toyi-toyi na linha de frente, no confronto com policiais, observar seus passos destemidos diante da morte me intrigava. Que dança é essa?

Essa pergunta me levou para a África do Sul. Em Soweto deparei-me com a arquitetura do apartheid. Caminhando de mãos dadas com a minha filha pelas ruas da Cidade do Cabo, tentei observar como o gesto do aperto de mãos entre Mandela e De Kleck era imitado pela comunidade sul-africana.

Instalada na Faculdade de Dança da UCT University of Cape Town, acompanhei a vida dos estudantes e dançarinos que por ali estavam em ensaios, aulas, estudos, pesquisas e apresentações. Após um período de oito meses de imersão etnográfica, comecei a escuta das vozes do silêncio. Convidei dançarinos de diferentes modalidades [dança africana, indiana, comunitária, balé clássico]; e líderes espirituais de religiões distintas [africana, cristã, islã e judaísmo] para falarem de suas experiências com o toyi-toyi, o perdão, o silêncio e a criança como metáforas da esperança.

Essa escuta revelou um rico repertório de depoimentos, informações e confissões. O que fazer com essas palavras? Relatos? Relatórios? Artigos? Vieram ensaios, danças e conversas dançadas. E, agora, apresento aqui o meu ritual de iniciação na literatura: ficcionar poeticamente a dura realidade do apartheid.

Dez personagens centrais, entre eles estão dançarinas, professores, policiais, mães, líderes espirituais, jovens, pessoas cujas vidas são marcadas pelo regime do apartheid e que tentam juntar as peças para compreender os desafios da reconciliação. Para uns, o perdão se configura como o primeiro passo para se reconciliar consigo mesmo. Para outros, o perdão se apresenta como a possibilidade de assumir um compromisso com o ser no mundo.

Cada personagem apresenta seus dilemas psicológicos, filosóficos, espirituais, intelectuais, políticos, afetivos, artísticos e existenciais que envolvem a vida e a morte. O que se põe a ver é a vida com seus desafios, que simultaneamente oferece a cada ser atitudes criativas e contemplativas no corpo, na dança e na meditação, espaços sagrados para a reconciliação. Desses lugares redescobrimos a alegria, a liberdade e a compreensão.

O conto “A duração da dor, primeiro volume da série “Dança e Perdão” convida a leitora e o leitor para uma jornada criativa acerca das possibilidades do perdão.

Sinopse

Na última década do regime apartheid na África do Sul, Sharmila Rama, ainda uma menina, testemunha o violento evento conhecido como Cavalo de Troia que ocorre em Atlone, subúrbio da Cidade do Cabo. Dez anos depois, no silêncio do seu quarto, enquanto tenta acender uma lamparina, atormenta-a a culpa por ter negado ajuda para Indra Kallil, seu primo e melhor amigo, minutos antes de ele ser morto no confronto entre estudantes e policiais. Kawany Maal, sua professora de dança clássica Odissi, a ajuda a buscar no Sagrado a compreensão da sua fenomenologia da dor. A dança e a meditação são as fontes de sabedoria através das quais ela ilumina a razão para perdoar a si mesma e avivar a chama da alegria de viver.

Comentários das Leitoras

“ Fiquei muito entusiasmada com a leitura. Quanta sensisibilidade e potencial na sua descrição… Ao percorrer os escritos fui tomada pela vida, pela dor e angústias de Sharmila, mas igualmente pela busca do lugar do perdão….e, a dança de forma singular, arrastando-a para as alegrias da vida! Confesso que me encontrei muito nessa passagem…
‘Quando está a dançar sente-se chamada pelo seu nome…’ Quanta lindeza !!!”

Danieli Alves Pereira Marques [Doutora em Educação Física pela UFSC. Professora efetiva da Universidade Estadual de Roraima (UERR). Atua na área de dança e educação, corpo e linguagem]

“Enternecedor!!!! Uma ponte construída entre a África e a Índia, com uma intensidade delicada e escrita primorosa.
E sobre a dor… assim como a dança Odissi é uma importante parte dos rituais diários de adoração, a dor faz parte da essência humana.
É admirável como conseguiu transcrever com leveza e “beleza” este sentimento que as vezes escondemos tanto. Acredito que a dança e a meditação sejam o veículo para essa compreensão e (in)diretamente para a compreensão de si mesmo, e foi exatamente o que senti lendo seu conto.
Confesso que me vi na menina Sharmila em alguns momentos…
Lembrei de Gibran:
“… e passaríeis com serenidade os invernos das vossas mágoas. Muita da vossa dor é escolhida por vós. É a poção amarga com a qual o médico dentro de vós cura o vosso interior doente.”
Lindo conto! Uma poesia para se falar da dor e das transformações interiores que este sentimento traz!”

Adriane Martins [Professora de Dança e Dançarina de Dança Indiana]

Participe do Lançamento: 

Barca dos Livros dia 18/10/2018 – das 19h às 20:30.

Vamos Meditar em Agosto

Vamos Meditar em Agosto

Discernimento na Meditação e na Caminhada Contemplativa

Sábado dia 18 de agosto de 2018 às 16h vamos fazer nossa caminhada contemplativa e meditar em grupo. Nossa intenção é de nos encontrarmos e fortalecemos nossa prática contemplativa individual e diária. Meditar em grupo nos tira do isolamento, do autocentramento e promove a alegria de estar na presença do outro,  desfrutar do acolhimento e aceitação mútua, criando assim, uma atmosfera segura para aprender a discernir.

Como escreve Laurence Freeman: “um dos frutos da meditação é o dom do discernimento. Discernimento acerca daquilo que os meios de comunicação estão fazendo e nos estão dizendo, acerca do momento em que devemos desligar a tela. Por meio da criação de um espaço de solitude através da prática diária, a meditação protege a dignidade da privacidade do indivíduo. Como resultado, ela também desenvolve os valores sociais da liberdade pessoal e a participação responsável na tomada de decisões da sociedade.

A meditação desafia a passividade e o fatalismo que podem ser gerados pela saturação midiática, ainda que apenas pelo fato de que pessoas sábias são menos passíveis de serem enganadas.Nós meditamos neste mundo. Nossa decisão de meditar representa um compromisso com a participação responsável, mesmo num mundo prestes a enlouquecer. Ela exercita o discernimento e limita a intolerância. Ela ensina a fidelidade à comunidade do verdadeiro Ser, protegendo assim a dignidade humana.

A cada vez que nos sentamos para meditar levamos conosco para esse trabalho da atenção nossa própria bagagem e a bagagem do mundo. Trata-se de uma maneira de amar o mundo do qual fazemos parte e, de contribuir para o seu bem estar. Precisamente por ser uma maneira de abandonarmos nosso eu, a meditação nos ajuda a reconhecer e compartilhar a carga da humanidade”. Laurence Freeman,  O Mestre Interior (São Paulo: Martins Fontes, 2004).
Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração “Maranatha”. Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

original em inglês
An excerpt from Laurence Freeman OSB, “Meditation,” in JESUS THE TEACHER WITHIN (London: Continuum, 20000, P. 210
One of the fruits of meditation is the gift of discernment. Discernment about what the
media is doing and saying to us, about when to switch off the screen. By creating the
space of solitude of solitude through daily practice, meditation protects the dignity of
individual privacy. As a result, it also develops the social values of personal liberty and
responsible participation in society’s decision making. The passivity and fatalism that
media-saturation can create is challenged by meditation, if only because people of
wisdom are less easily misled.
We meditate in this world. Our decision to meditate represents a commitment to
participate responsibly even in a world going mad. It trains discernment and limits
intolerance. It teaches faithfulness to the community of the true Self thus protecting
human dignity. Each time we sit down to meditate we carry our own and the world’s
baggage into the work of attention. It is a way of loving the world we are part of and
contributing to its well-being. Precisely because it is a way of letting go of ourselves,
meditation helps us recognize and share the burden of humanity.

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração “Maranatha”. Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.