O luxo do silêncio entre as flores

O luxo do silêncio entre as flores

Foto Violeta Africana e Avenca Texto Ida Mara Freire

Durante a pausa da escrita, enquanto observava as violetas e as avencas hoje pela manhã, fiquei a pensar por que o  silêncio é um luxo para um dançarino sul africano, que entrevistei na época que moramos lá,  traduzo livremente uma parte que ele me falou:

“Eu penso assim… Eu penso que já houve um momento em minha vida que o silêncio não era importante, seja como um motivo para estar calado, para meditar,  ou para ocupar um espaço sonoramente diferente. Eu nunca tive o luxo de usar o silêncio como uma ferramenta para  entender melhor uma coisa  ou me acalmar, até recentemente. Sim, muito recentemente, eu sei que posso estar calado, e esse silêncio me conduz para outro lugar – ou eu posso estar pensando em qualquer outra coisa. Como, por exemplo,  agora nós praticamos ioga como para nos encorajar  trabalhar por dentro, por dentro de você, procurar algo dentro. Mas, será que nós um dia recuperaremos o luxo de ouvir só o silêncio?

Eu penso que é um problema quando me forçam a ser silencioso…Há tempos que eu estou calado, o que  tem a ver com nossas estruturas políticas na África do Sul, e com algumas situações repugnantes, as  quais nós, como jovens,  não concordamos. Às vezes,  você se sente com vontade de dizer qualquer coisa, mas sabe  que  por estes dias, o que você diz pode te queimar…”

As violetas e as avencas me encantam. Em contemplá-las, podemos quem sabe, ainda que por ínfimos segundos, desfrutar  do silêncio, da beleza singela, da leveza. Nos tempos atuais isso realmente pode parecer algo requintado,  mas o silêncio, longe de ser apenas uma ferramenta  para o entendimento ele  é de grande valor: – pessoal por possibilitar o cultivo da escuta interior, e, – intergrupal,  por favorecer a justeza do diálogo.

Para você  o silêncio é um luxo?

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Sozinha ou Acompanhada

Sozinha ou Acompanhada

Foto Ida Mara Freire

Contemplação do Dia:

Flores no quintal,

Bom dia!
Orquídeas entre samambaias ornamentam o quintal da acolhedora família da Débora e do Lauro, belo feriado desfrutado entre crianças e amigas no Canto dos Araçás.
“Descobri que na vida existe mais uma coisa que não vale a pena: é o homem viver sozinho, sem amigos, sem filhos, sem irmãos, sempre trabalhando e nunca satisfeito com a riqueza que tem. Para que é que ele trabalha tanto, deixando de aproveitar as coisa boas da vida? Isso também é ilusão, é uma triste maneira de viver. Eclesiastes 4:7-8.

Simples assim

Simples assim

Foto Ida Mara Freire

Contemplação do dia

Flores no Quintal

Uma manhã após uns dias de chuva,  o sol brilha,  uma flor roxa, à sombra do muro azul, deixa reluzir na  diminuta gota de água, aderente a sua pétala, sua própria  luz.

“E na dor eu passo um giz, arcoirisando a solidão. Na lição que o sol me traduz: viver da própria luz.” Djavan