O  Livro das Perguntas

O Livro das Perguntas

“Es verdade que las esperanzas deben regarse con rocio?”  Pergunta o poeta chileno Pablo Neruda [1904-1973] em seu “Livro das perguntas”,  edição  bilingue, tradução em português de Olga Savary, publicado pela  L&PM.

 

O pequeno  volume  compõe-se  de 74 poemas sem títulos. Poemas raros que aliam maturidade, domínio de linguagem e segurança absoluta, mas também com uma simplicidade que só o grande  poeta chega a ter quando alcança esta mesma maturidade que consigo traz todo o resto de que se falou antes. Há nesse livro uma nota nítida e constante de refinado humor metafísico que se aproxima da poesia oriental com sua aparente simplicidade mas que nos conduz a profundezas inimagináveis

               IV

CUÁNTAS iglesias tiene el cielo?

Por qué no ataca el tiburón as las impávidas sirenas?

Conversa el humo con las nubes?

Es verdad que las esperanzas deben regarse con rocío?”

“Quantas igrejas tem o céu?

Por que não ataca o tubarão as impávidas sereias?

Conversa a fumaça com as nuvens?

É verdade que a esperança se deve regar com orvalho?

 

Pablo Neruda – Prêmio Nobel  de Literatura em 1971

 

Exercícios de Escrita Criativa

Como seria seu  “Livro das Perguntas”?

Que tal escrever um  diário com suas perguntas.

Escreva  aqui nos comentários qual seria sua primeira pergunta…

 

 

Dance  e  Escreva suas Memórias Corporais

Dance e Escreva suas Memórias Corporais

Curso Regular de Dança e Escrita Criativa, local:  “Estação Corpo”

Esse curso tem a duração de quatro estações e é estruturado para ensinar você a reconhecer os padrões  de movimento e de pensamento que bloqueiam a sua liberdade de expressão.

Colhendo os frutos do verão, eu te  encorajarei na descoberta dos padrões de movimento que limitam seu modo de se expressar no mundo.

Durante o outono nós vamos identificar juntas, quais seriam suas perguntas existenciais, e ao escreva-las você terá mais clareza mental para reconhecer seus padrões de pensamento.

Nos meses outonais vamos esboçar seu diário temático que te auxiliará  no registro de suas memórias corporais, isso poderá ser o primeiro passo para você se reconciliar com o seu passado.

No inverno irei te apoiar oferecendo uma sequência de exercícios de desenhos vinculados  com a caixa de palavras e a dança, de modo que você possa  expressar suas emoções, mudar e ampliar seu vocabulário de movimento.

Com  a chegada da  primavera nós vamos aprofundar a relação  com o outro, com a proposição exercícios  de percepção que te ajudem a transformar sentimentos de vergonha, timidez; te orientarei em como desvelar pela escrita as possibilidades do ver e os mistérios de ser vista.

Nada como se preparar para o verão  compreendendo  suas memórias corporais, pronta para cultivar a liberdade de escolha; E disposta para aprender a Dançar sua História…

Curso Ministrado por Ida Mara Freire, dançarina e escritora; Pós-doutorado em Dança, University of Cape Town, África do Sul; Doutorado em Psicologia, USP, Professora Aposentada da UFSC, Diretora do Potlach Editora e Ateliê de Arte Contemplativa. Autora dos e-books: Jornadas Inacabadas e To see or not to see: dance as a perceptive journey. 

Inscreva-se gratuitamente para aula aberta na próxima quarta-feira dia 28/02/2018 das 10:30 às 12h e receba informações detalhadas acerca do curso.

Envie-me um e-mail  falando brevemente sobre seu interesse de fazer a Aula Aberta do Curso Dance e Escreva Suas Memórias Corporais

E-mail: idamara@idamarafreire.com.br

Local: “Estação Corpo” http://www.estacaocorpo.com.br/localizacao.html

 

Escrita acerca do brilho

Escrita acerca do brilho

Exercício Contemplativo 10
Por Ida Mara Freire

Gente é para brilhar e não para morrer de fome. Assim, falou Maiakóviski. E no exercício contemplativo dessa semana, vamos observar o brilho dos corpos terrestres e dos corpos celestes. Comecemos com a leitura:

A TARDE ARDIA COM CEM SÓIS

★ ★ ★

BRILHAR PRA SEMPRE
BRILHAR COMO UM FAROL
BRILHAR COM BRILHO ETERNO
GENTE É PARA BRILHAR
E QUE TUDO O MAIS VÁ PRO INFERNO
ESTE É O MEU SLOGAN
E O DO SOL

O poema do poeta russo Vladímir Maiakóvski me vem à mente ao escrever acerca do brilho. Do brilho desvelado no corpo de quem dança, que observei nos dois festivais que participei durante o mês de julho, uma como espectadora qualificada, ou seja, membro do corpo de jurados e outra na qualidade de mãe espectadora.

O primeiro foi o Festival das APAES, com 30 apresentações de dança e dança folclórica, entre solos, duos e grupos classificados em todo Estado de Santa Catarina. O corpo diferente põe em evidência a singularidade presente em cada ser humano. Faz pensar como uma sociedade, que prima pela a uniformidade e ignora a diversidade, fere com a dor, com o medo, com a rejeição, com a discriminação e com o preconceito. Mas, quando o corpo diferente está em cena, de repente faz brilhar a vida presente na diferença. E a celebração acontece. Os versos da música “Realce” de Gilberto Gil, parecem-me oportunos para descrever essa experiência.

“Não desespere
Quando a vida fere, fere
E nenhum mágico interferirá
Se a vida fere
Como a sensação do brilho
De repente a gente brilhará.”

Em seu livro “Todas as letras”, Gilberto Gil explicita que “Realce” foi escrito em uma época em que ele se introduzira na meditação, entendida como uma arte mais formal e rigorosa de pensar-se e refletir-se, estava interessado nas possíveis traduções da filosofia oriental para o idioma da canção. “Realce” é resultado de um processo profundo e ruminante, um longo trabalho de elaboração e meditação, sendo uma canção sobre o wu wei, termo chinês que significa “ação e não ação”, ou a impotência que se torna potência, ou esgotamento dos contrários nas suas polaridades.

O Festival de Joinville, fez ver as nuances dos brilhos do corpo que dança. Fui para Joinville, como acompanhante de minha filha, e não estávamos sós, e sim, com um grupo de meninas dançarinas, algumas com suas mães e outras não. Fomos de ônibus, fretado e o roteiro foi organizado pela professora de dança da escola. Saímos por volta das oito da manhã e retornamos por volta das duas da manhã. A empolgação de escolher sapatilhas de tantas cores e tamanhos, foi seguida pela visita guiada na escola Bolshoi, onde um jovem dançarino, ao apresentar cada espaço do Bolshoi, incluía ali sua própria corpografia, narrando sutil e, em alguns momentos, divertidamente, seu singular modo de viver a formação em dança. Mas, o brilho do corpo resplandeceu durante as premiações dos melhores, ainda que o lugar que estávamos não favorecia vermos o palco por inteiro, era evidente que, quem ali dançou, muito trabalhou. E nessa noite apareceram novas estrelas na constelação da dança.

E, ainda, falando do brilho dos corpos terrestres, recentemente assisti o documentário intitulado “Nostalgia da luz”, dirigido pelo chileno Patricio Guzmán, que mostra no deserto de Atacama, onde se encontra um dos melhores lugares do planeta para observação astronômica, um grupo de mulheres chilenas procurando os corpos de familiares desaparecidos durante o período de ditadura militar de Pinochet. Com uma impávida lucidez poética, Patricio Guzmán compara essas mulheres com os astrônomos, enquanto eles olham para cima em busca de corpos celestes, elas olham para baixo, vasculham o deserto em busca de corpos terrestres. Nessa investigação acerca dos rastros de luz deixados pelos corpos celestes e terrestres, o filme salienta a importância do brilho da memória, ao demonstrar que as pessoas com alguma memória, vivem no presente, mas, quem não tem memória alguma, não vive em lugar nenhum.

A dança ao fazer o corpo terrestre brilhar, recorda o nosso destino celestial. Afinal,o cálcio encontrado nos ossos, que equilibram nossos movimentos pela vida afora, também é encontrado nas estrelas…

E uma estrela em forma de canção, chega, assim de mansinho, na voz de Vitor Ramil:

Estrela, estrela
Como ser assim
Tão só, tão só
E nunca sofrer

Brilhar, brilhar
Quase sem querer
Deixar, deixar
Ser o que se é…

Para ler e ouvir as canções: “Realce” de Gilberto Gil
http://www.gilbertogil.com.br/

e “Estrela, Estrela” de Vitor Ramil
http://www.vitorramil.com.br/discos/tambong.htm#12

Para ver: filme Nostalgia da Luz de Patricio Guzmán
http://canalcurta.tv.br/pt/filme/?name=nostalgia_da_luz

Para escrever: Os segredos na estrela. Imagina que uma estrela desceu à Terra para te conhecer. Ela conhece todos os segredos do universo e contém em si todas as respostas do mundo. Aproveita para lhe colocares todas as questões que gostaria de ver respondidas, todas as suas dúvidas. Escreve as tuas perguntas e as respostas que ela te daria. Registra no teu Diário as tuas maiores dúvidas, o que sentiste ao escrevê-las e vê-las respondidas e lembra-te que se conseguiste responder é porque as respostas estão, em algum lugar, dentro de ti. ( Sugerido por: Ana Malfada Damião, em seu livro: Escrita Curativa: o poder da escrita na transformação pessoal)