Jornadas Inacabadas

Jornadas Inacabadas

Apresentação do ebook 

Penso que nossa existência é uma jornada a ser dançada. Uma dança que se compõe com o outro. Por muito tempo em minha vida nutri  a ideia que a vida era uma batalha a ser travada, e estava aqui para lutar. Lutei. Mas, um momento de dor e de perda fez-me perceber que estou aqui para viver plenamente e que a vida não é só lutar consigo mesma e com o outro, mas é também celebrar a coexistência.

Esse livro é fruto de várias pesquisas e experiências acadêmicas.   Durante  o curso de doutorado,  ao observar a transição do período sensório-motor para inteligência representativa de crianças  com e sem cegueira, minha experiência como dançarina  possibilitou perceber  com mais nitidez o papel do corpo na linguagem  oral e na experiência do pensamento.  No transcorrer da minha trajetória como professora no curso de Pedagogia,  identifiquei  como a dança é fundamental para o processo de inclusão da crianças com necessidades especiais.   A participação de intercâmbios entre professores da brasileiros e ingleses,  oportunizou acompanhar vários projetos de ensino de dança nas escolas públicas inglesas, mostrando como  crianças e  jovens podem aprender  a dançar no contexto escolar e como seus professores podem ensiná-las. Com essa motivação comecei a ensinar dança para jovens e adultos com cegueira envolvendo alunas do curso de Pedagogia da Universidade Federal de Santa Catarina e  estudantes da Associação Catarinense de Integração do Cego. A  pesquisa de vários métodos de dança moderna e contemporânea que possibilita uma pessoa que não vê apreciar a dança, levou-me a criação das “Jornadas”, um processo criativo de experiências de ensino e apreciação  de dança, tendo como foco a história de vida da pessoa que dança. Dançar a nossa história pode restaurar nosso equilíbrio corporal, mental e espiritual. É o que constatei encorajando muitas pessoas durante as “Jornadas”.

Os ensaios selecionados para a edição desse livro, como vocês irão notar, são reverberações de diferentes fases desse processo criativo. Ao compreender que a vida é dança,  os quatros ensaios aqui apresentados buscam descrever como as experiências com o outro  desvelam  a dança como uma jornada inacabada.  Que a leitura  desse livro seja uma jornada no invisível e no silêncio que te aproxima  de si mesmo e do outro na dança da vida.

 

Sumário 
 

Dançar

Além do belo, o movimento

Jornadas

A condição dos olhos:  a experiência estética

Escrituras inacabadas:

Que sei eu?

 

Agradecimentos 

A ACIC – Associação Catarinense de Integração do Cego e  dançarinos e dançarinas não-visuais  do Potlach  Grupo de Dança   expresso aqui o meu apreço. Às alunas do curso de Pedagogia e da Disciplina Dança no Espaço Escolar e as participantes do Projeto de Extensão Jornadas sou grata pela confiança e a disponibilidade.

Ao Prof. Dr. Marcos José Müller sou grata pelas inspiradas aulas acerca da Fenomenologia  de Maurice Merleau-Ponty. À Márcia Lerinna por  me fazer “voltar as coisas mesmas”. À Jaqueline Romão Ferreira pela escuta dedicada dos meus sonhos. À Marisa Naspolini  testemunha  ocular de processos criativos.  À Maria Aparecida Leite  por  acreditar nas Jornadas. Diana Guilardengui, Sandra Meyer, Jussara Xavier, Vera Torres, Marta César agradeço pelo companheirismo na dança.

Aos integrantes do Alteritas  – Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Diferença, Arte e Educação,  Ana Cristina Zimmermann, Rodrigo Rosso Marques, Valeska Figueiredo, Sandra Adão, Maria Aparecida Clemêncio, Gardia Claudia Venturi,  Rodrigo Gonçalves, Mariene  Perobelli, Gilmar Azeredo, Rogaciano Rodrigues,  agradeço a interlocução. À Fabiana Grassi Mayca  por entrar de corpo e alma na dança da vida. À Fernanda Albertina Garcia  pelas horas  extras dedicadas a preencher os formulários dos editais em busca de apoio financeiro para atividades do Alteritas e do Potlach. À Amanda Massucci Batista cuja alegria  toca os nossos corações.

Aos colegas do Departamento Estudos Especializados em Educação expresso aqui minha gratidão pela credibilidade em meus projetos criativos. Às Professoras  Terezinha Cardoso, Vânia Beatriz Monteiro,  Olga Celestinas Duran pela conversa nossa de cada dia.Aos colegas e estudantes,   do Programa de Pós-Graduação em Educação, ao Centro de Ciências da Educação e a Universidade Federal de Santa Catarina sou grata pelas condições de trabalho oferecidas, ao apoio na participação em eventos e pelo espaço de interlocução.

À CAPES pelo apoio recebido para participação de viagem de estudo  e participação de eventos no exterior. À comunidade universitária da York University – Toronto pela acolhida, e os excelentes serviços bibliotecários. À FAPESC pelo apoio financeiro concedido para realização deste projeto, bem como pela bolsa de Mérito Acadêmico concedida para a discente Fernanda Albertina Garcia. Ao Programa PIBIC, UFSC/CNPQ  agradeço a bolsa concedida à discente Amanda Massucci Batista.

# 2 PERGUNTAS PARA VOCÊ DANÇAR A SUA HISTÓRIA

# 2 PERGUNTAS PARA VOCÊ DANÇAR A SUA HISTÓRIA

Ida Mara Freire,  Desenho de  J.

“Os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criámos.” Albert Einstein 

Você já parou para pensar que em vez de contar sua história você pode dança-la? Sim. Seria uma narrativa dançada, narrada de modo não-verbal, mais gestual; O dançar sua história sugere encontrar no corpo, na memória corporal, os gestos, as ações e as percepções que estão entre o movimento e o pensamento. É possível dançar quando as palavras não são suficientes. Espero que você possa perceber como o dançar nossa história pode  nos ajudar a compreender nossa existência e nos deixar à vontade no mundo.

Quem de vocês já não se sentiram estagnadas em algum momento da vida de vocês? Seja pelas circunstâncias financeiras, seja pelos relacionamentos? Ou problemas de saúde? Bloqueio criativo, intelectual ou espiritual? Eu já; e uma das formas mais notáveis da estagnação acontecer está na nossa dificuldade de lidar com a mudança. Ficamos empacadas.

Alguns anos atrás meu estilo de vida estava exigindo mudanças daquelas profundas. Eu estava com aquela sensação interior de água parada, com aquele odor sutil do apodrecimento por ausência de movimento. Comecei a me perguntar qual é o sentido da minha vida? Qual é o meu dom? E comecei a sorrir… O que o meu sorriso é? Um movimento da minha boca, um convite, uma manifestação da alegria… uma dança…

Qual seria então o propósito da minha vida? Como ofereço o meu dom para os outros? Se o meu sorriso é o meu dom, o que me faz sorrir é  fazer outras pessoas sorrirem também.   Talvez, eu deveria ser palhaço… Mas, se penso na alegria. Penso em reconciliação. Então, eu e minha filha fomos viver na África do Sul e estudar a reconciliação, manifesta num corpo nacional que dança. Que histórias aquele corpo dança? A reconciliação, dançar o perdão, voltar a sorrir depois da dor. Ou sorrir apesar da dor.

Minhas ações por menores ou maiores que sejam devem estar vinculadas com essas minhas perguntas… Levar e buscar minha filha em suas atividades artísticas tem a ver com o sentido da minha vida? Tomar a decisão de abrir mão da carreira profissional sustenta o meu propósito de vida? Sim. Levar minha filha me faz ver a dança na vida dela. Minha escolha pelo trabalho criativo permite atentar para as pessoas que eu amo e encorajar as pessoas na dança da vida.

Ao acompanhar a história de vida dançada de algumas pessoas   percebo que essas duas perguntas: Qual o sentido da vida? E qual o propósito da vida? reverberaram em suas vidas elucidando suas próprias indagações:

“Como encontrar no corpo o tempo para ser quem você é? ”

“Como criar com o efêmero?”

“ Como transformar a vida em cuidado de si?”

“Como lidar com o risco da alegria de aparecer no mundo”

“Como habitar o lugar rarefeito entre o não ver e o ser vista”

Em que momento de sua vida que seu corpo te ajudou a perceber qual o sentido e o propósito de sua vida?

Quer saber mais sobre isso agende a sua Jornada da Descoberta gratuita, pelo email: idamara@idamarafreire.com.br

Na Jornada da Descoberta você vivenciará uma breve experiência de como o seu corpo pode ajudar você sair da estagnação. Se “os problemas significativos que enfrentamos não podem ser resolvidos no mesmo nível de pensamento em que estávamos quando os criámos”, como nos recorda Albert Einstein,   a dança pode ser o movimento para voltarmos às coisas mesmas.