Potlach Notícias de Julho

Potlach Notícias de Julho

Alegria. É a palavra que inicio essas notícias para você,   que escolhe  dançar a vida. 
Há tantos modos de contar nossa história e a dança é uma delas.  Já faz algum tempo que comecei a dançar minha existência. Mas, foi compartilhando minha experiência de dança com as pessoas com cegueira que comecei  a descobrir que cada pessoa tem uma dança no seu corpo. Assim, com Camille Claudel e Rodin,  ao olharem no mármore já viam ali o corpo a ser esculpido, hoje quando estou observando o corpo de uma pessoa,  indago: Que dança habita em seu corpo?  Como os movimentos de seu  corpo podem compor a dança de sua vida?  Que história seu corpo tem para contar?  Como a dança pode te ajudar na  elaboração  de suas memórias corporais dolorosas? 
É disso que trata as Corpografias e as Jornadas –  processos de transformação criativa, para você dançar, mudar a sua história e vivenciar o poder de sua alegria. 

As Corpografias  é um curso com   21 exercícios   para você aprender  registrar suas memórias corporais.   As Jornadas é  um curso de 40 horas composto  de 10 sessões que irão preparar você passo a passo para dançar sua história com beleza, lucidez e alegria.  Tanto as Corpografias  como as Jornadas  são processos  criativos que envolvem o corpo, a mente e o espírito, ou seja, a dança, a escrita criativa e a meditação.  Essa experiência lúdica, prazerosa e profunda visa o seu  bem-estar, proveniente do seu autoconhecimento.  

Fundamentados  em sistemas e técnicas da dança tradicional, moderna e contemporânea, cada  um desses processos   têm como foco movimentos específicos para despertar  e integrar sua memória corporal. Vale lembrar também que as Corpografias e as Jornada são sustentadas nos quatro eixos da dança educação, a saber:  Observação, Execução, Criação e Apreciação.  Isso quer dizer, que você também estará aprendendo a dançar  e apreciar a dança.  No final  do processo, você será capaz de apresentar sua corpografia.  No caso das Jornadas, você será capaz de criar e apresentar  um solo de 3 minutos de duração, com música, figurino e cenário, e isso será registrado em ensaio fotográfico, ampliando assim  sua memória corporal. 

As Corpografias serão oferecidas em curso online e presencial  (primavera 2019 / verão 2020).  Aprenda escrever suas memórias corporais. Comece seu diário hoje: click no link http://https://go.hotmart.com/H13906907L

As Jornadas poderão ser realizadas individualmente, ( vagas e horário conforme disponibilidade)  ou em grupo Jornadas da Primavera( Vagas somente para agosto-novembro 2020).  Dance sua história.

Caso você queira  participar do curso  Corpografias  em setembro de  2019,   ou dançar sua  Jornada  individualmente, por gentileza, envie um e-mail  até  o final de Julho manifestando o seu interesse e enviarei mais informações, para idamara@idamarafreire.com.br
  
Será um prazer acompanhar você  na dança da vida!
Abraços com alegria!
Ida
Potlach Editora & Ateliê de Arte Contemplativa

Livro: A duração da dor

Dança e Perdão

A África do Sul escolheu seguir, como corpo nacional, um caminho longo, íngreme e insólito chamado reconciliação, tendo como líder Nelson Rolihlahla Mandela. Madiba, como era carinhosamente chamado o pai da nação sul africana, acreditava que para as pessoas negras, oprimidas, serem livres era necessário que as pessoas brancas, opressoras, também o fossem. Para isso, concordando com seu amigo Desmond Tutu, reconheceu que era necessária a escolha do perdão.

Em 1976, no Brasil, ao ouvir, ver e ler as notícias da África do Sul, eu menina, me identificava com as meninas da África do Sul, e mesmo à distância, como uma personagem coadjuvante, participava do drama de algumas e do trauma de muitas outras. Os frágeis corpos negros sendo alvejados é uma imagem que me assombra até hoje. Mas ver um grupo de estudantes uniformizados dançarem toyi-toyi na linha de frente, no confronto com policiais, observar seus passos destemidos diante da morte me intrigava. Que dança é essa?

Essa pergunta me levou para a África do Sul. Em Soweto deparei-me com a arquitetura do apartheid. Caminhando de mãos dadas com a minha filha pelas ruas da Cidade do Cabo, tentei observar como o gesto do aperto de mãos entre Mandela e De Kleck era imitado pela comunidade sul-africana.

Instalada na Faculdade de Dança da UCT University of Cape Town, acompanhei a vida dos estudantes e dançarinos que por ali estavam em ensaios, aulas, estudos, pesquisas e apresentações. Após um período de oito meses de imersão etnográfica, comecei a escuta das vozes do silêncio. Convidei dançarinos de diferentes modalidades [dança africana, indiana, comunitária, balé clássico]; e líderes espirituais de religiões distintas [africana, cristã, islã e judaísmo] para falarem de suas experiências com o toyi-toyi, o perdão, o silêncio e a criança como metáforas da esperança.

Essa escuta revelou um rico repertório de depoimentos, informações e confissões. O que fazer com essas palavras? Relatos? Relatórios? Artigos? Vieram ensaios, danças e conversas dançadas. E, agora, apresento aqui o meu ritual de iniciação na literatura: ficcionar poeticamente a dura realidade do apartheid.

Dez personagens centrais, entre eles estão dançarinas, professores, policiais, mães, líderes espirituais, jovens, pessoas cujas vidas são marcadas pelo regime do apartheid e que tentam juntar as peças para compreender os desafios da reconciliação. Para uns, o perdão se configura como o primeiro passo para se reconciliar consigo mesmo. Para outros, o perdão se apresenta como a possibilidade de assumir um compromisso com o ser no mundo.

Cada personagem apresenta seus dilemas psicológicos, filosóficos, espirituais, intelectuais, políticos, afetivos, artísticos e existenciais que envolvem a vida e a morte. O que se põe a ver é a vida com seus desafios, que simultaneamente oferece a cada ser atitudes criativas e contemplativas no corpo, na dança e na meditação, espaços sagrados para a reconciliação. Desses lugares redescobrimos a alegria, a liberdade e a compreensão.

O conto “A duração da dor, primeiro volume da série “Dança e Perdão” convida a leitora e o leitor para uma jornada criativa acerca das possibilidades do perdão.

Sinopse

Na última década do regime apartheid na África do Sul, Sharmila Rama, ainda uma menina, testemunha o violento evento conhecido como Cavalo de Troia que ocorre em Atlone, subúrbio da Cidade do Cabo. Dez anos depois, no silêncio do seu quarto, enquanto tenta acender uma lamparina, atormenta-a a culpa por ter negado ajuda para Indra Kallil, seu primo e melhor amigo, minutos antes de ele ser morto no confronto entre estudantes e policiais. Kawany Maal, sua professora de dança clássica Odissi, a ajuda a buscar no Sagrado a compreensão da sua fenomenologia da dor. A dança e a meditação são as fontes de sabedoria através das quais ela ilumina a razão para perdoar a si mesma e avivar a chama da alegria de viver.

Comentários das Leitoras

“ Fiquei muito entusiasmada com a leitura. Quanta sensisibilidade e potencial na sua descrição… Ao percorrer os escritos fui tomada pela vida, pela dor e angústias de Sharmila, mas igualmente pela busca do lugar do perdão….e, a dança de forma singular, arrastando-a para as alegrias da vida! Confesso que me encontrei muito nessa passagem…
‘Quando está a dançar sente-se chamada pelo seu nome…’ Quanta lindeza !!!”

Danieli Alves Pereira Marques [Doutora em Educação Física pela UFSC. Professora efetiva da Universidade Estadual de Roraima (UERR). Atua na área de dança e educação, corpo e linguagem]

“Enternecedor!!!! Uma ponte construída entre a África e a Índia, com uma intensidade delicada e escrita primorosa.
E sobre a dor… assim como a dança Odissi é uma importante parte dos rituais diários de adoração, a dor faz parte da essência humana.
É admirável como conseguiu transcrever com leveza e “beleza” este sentimento que as vezes escondemos tanto. Acredito que a dança e a meditação sejam o veículo para essa compreensão e (in)diretamente para a compreensão de si mesmo, e foi exatamente o que senti lendo seu conto.
Confesso que me vi na menina Sharmila em alguns momentos…
Lembrei de Gibran:
“… e passaríeis com serenidade os invernos das vossas mágoas. Muita da vossa dor é escolhida por vós. É a poção amarga com a qual o médico dentro de vós cura o vosso interior doente.”
Lindo conto! Uma poesia para se falar da dor e das transformações interiores que este sentimento traz!”

Adriane Martins [Professora de Dança e Dançarina de Dança Indiana]

Participe do Lançamento: 

Barca dos Livros dia 18/10/2018 – das 19h às 20:30.