Imaginação e  o Brincar na Escrita

Imaginação e o Brincar na Escrita

Exercício contemplativo 4
Por Ida Mara Freire

“Trago no olhar visões extraordinárias, de coisas que abracei de olhos fechados…” Florbela Espanca

Essa semana vou destacar no exercício a imaginação e o brincar. Sábado dia 18 de junho estive no Studio África com a menina Hannah, no lançamento do livro NDIPHILILE: EU ESTOU VIVA, de autoria de Sandra Eckshmidt. Lindo momento, a ambientação, o soar dos tambores, a dança do grupo de mulheres de La Clinica [https://youtu.be/rne_gbJfQ3w], e ver as imagens das meninas sul africanas a brincar, acompanhadas da fala emocionada de Sandra, despertaram nossa memória. Mas, a escuta não parou por aí, ainda desfrutamos de um belo conto narrado pela contadora de história Suzana Nascimento; após autógrafos, entre o encontro com pessoas queridas e as conversas amistosas, o jantar africano foi servido…

O que me fascina no livro da Sandra Eckshmidt é que ele entrelaça os elementos que estamos enfatizando em nosso exercício contemplativo: o ver, o ler e o escrever. O livro de Sandra é uma seleção de seus registros de seu diário de seu período como professora na Zenzeleni Escola Wardorf, na periferia da Cidade do Cabo, África do Sul. No livro ela destaca seu longo e peculiar caminho de observação: “Após exercitar por tantos meses essa forma de observação mais silenciosa, como a estou chamando aqui, pude observar gestos que se repetiam; outros que se transformavam; outros, ainda, que eram completamente diferentes (…)Esse material foi me possibilitando estabelecer relações, fazer perguntas e tecer reflexões. O melhor momento para exercitar a observação é o brincar livre da criança, quando ela se expressa em sua inteireza.” p.19.

Ver, escrever, ler o que escreve várias vezes e em vários momentos, escrever novamente, e ver de novo… Eis o exercício da escrita circular, espiralada… que Sandra nos ensina.

Vamos ao exercício:
Para ler sugiro o livro dela que pode ser adquirido no site:
http://www.livrosandraeckschmidt.com/

Para ver, deixo aqui o site do vídeo das meninas em uma brincadeira de elástico, do acervo do Território do brincar.

Território do Brincar | Série MiniDocs | Brincadeira de Elástico – Acupe, BA

Para escrever, sugiro atividade inspirada em alguns exercícios propostos por Ana Malfada Damião.
Escreva as frases, complete-as, crie outras…
Imagino que sou… a bola colorida nas mãos de uma criança.Salto…
Imagino que sou… um patinete impulsionado pelos pés de uma criança que não vê com seus olhos, e sente no seu corpo…

Até o próximo exercício!

Veja e faça os exercícios anteriores.

Escrever o quê?

Escrever o quê?

Por Ida Mara Freire

Exercício contemplativo 3

Hoje deixo a menina na escola e desço para a praia. Frio e chuva. Combino comigo mesmo que esse ano eu vou frequentar o mar em todas as estações. E lá estou eu cedinho, os pescadores já estão lá o mar a observar. Fotografo o que contemplo: Pausa e Movimento. Silêncio e Solidão. Trabalho e Embarcação.

A-mar + an-dar= dançar

Para ver:

A colagem das imagens da caminhada.

Para ler:

Cecília Meireles

Apresentação

Aqui está minha vida – esta areia tão clara

Com desenhos de andar dedicados ao vento.

Aqui está minha voz – esta concha vazia,

Sombra de som curtindo o seu próprio lamento.

Aqui está minha dor – este coral quebrado,

Sobrevivendo ao seu patético momento.

Aqui está minha herança – este mar solitário,

Que de um lado era amor e, do outro, esquecimento.

Para Escrever:

Escrever o quê?
“Escreve inflexível e direto sobre o que te dói e verás claro entre a neblina” Escreve Ernest Hemingway.

Aqui segue a lista escrita por Ana Mafalda Damião:

Escreve sobre o que te dói e não dói.

Escreve sobre os pensamentos negativos que te ocorrem sobre ti e sobre os outros.

Escreve sobre aquilo com que sonhas.

Escreve sobre o que te assustas e paralisa.

Escreve as alegrias e as tristezas.

Escreve os acontecimentos reais e imaginários.

Escreve o que vês e ouves.

Escreve o que lês.

Escreve o que te causa perplexidade.

Escreve o que entendes e o que não entendes.

Escreve o que te encanta e desencanta.

Escreve, escreve…

Conversa Dançada  no evento “traduzIr”

Conversa Dançada no evento “traduzIr”

Quarta-feira as 10hs
Local: Básico –
Evento: TraduzIr –
Promovido por: Estudantes do Curso de Pós-Graduação em Tradução da UFSC
Informações: http://jornadatraduzir.wix.com/2016

Conversa Dançada:
Tecelãs da Existência: um ensaio acerca da liberdade
Por Ida Mara Freire
Sinopse
Nesse ensaio entrelaço fios de vidas das mulheres negras que estão atadas ao fio da minha vida. Com os fios soltos das canções de Zezé Motta e dos escritos da filósofa Hannah Arendt teço este texto-existência. Na leitura dos ensaios e poemas de Marlene NourbeSe Philip, escritora afro-caribenha, me inspiro não só para resistir as amarras culturais hegemônicas, mas também transcendê-las, criando possibilidades de escrita que vincule a dinâmica da fala com a dinâmica da ação, compor um texto que se movimenta ora como dança através do espaço ora como uma canção, ritmada pelo tempo. Pois, criar e dançar uma coreografia é uma forma de fazer história. Como investiga Selma Treviños trata-se de uma ferramenta para animar o passado ou uma “escrita” acerca de algo que já foi feito, se concordamos que cada corpo carrega sua própria história, individualidade, memória, sentimentos e emoções. Na busca do entendimento desta minha breve existência danço, escrevo, teço palavras com fios desfiados da flor do útero das minhas ancestrais. Vasculho minhas lembranças e na memória corporal decifro a dor, encontro a raiz da violência, observo o medo, destilo a alegria, enfeito a doçura, mergulho na paz e conheço a liberdade.
Fotografia: Marina Moros
Criação: Ida Mara Freire
Orientação Coreográfica: Diana Gilardenghi
Orientação Musical: Alberto Heller
Texto Escrito: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/36545