Dança e Percussão

Dança e Percussão

Por Ida Mara Freire
Pós-doutorado em Dança, Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul

e-mail: idamara@idamarafreire.com.br

As andanças diárias, sabem bem o leitor e a leitora, além de proporcionarem economia no trabalho cardíaco e respiratório, fazem pensar na atualidade do corpo em sua dupla dimensão espacial e temporal. Um passo após o outro, na companhia do geógrafo Milton Santos, nos mostra que o passado pode estar morto como tempo, não porém como espaço.

Nesse Dia Mundial da Dança, convido vocês para aguçarem a curiosidade e investigarem como o caminhar, composto de passos aparentemente simples, se sofistica e tornar-se dança e ao mesmo tempo percussão. Pois, foi isso que fiquei a refletir ao assistir, acompanhada da minha filha, a noite de performance do Floripa Tap, Festival Internacional de Sapateado ocorrido na capital entre os dias 24 a 27 de março. Promovido pela Escola Garagem da Dança, o evento contou com o apoio da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina, através do Funcultural. A variedade de movimentos e sons produzidos pelos pés dos dançarinos, testemunharam uma indiscutível intimidade entre a dança e a música, acrescida pelos insólitos arranjos dos músicos Luiz Gustavo Zago, Carlos Ribeiro Junior e Richard Montano. O sapateado solicita tanto o ouvido quanto os olhos do espectador, quando a sonoridade criada pelas batidas dos pés tornam o corpo do dançarino um instrumento de percussão, reverberando contrapontos rítmicos inusitados, desenhando no espaço-tempo passos entrelaçados de fluidez e velocidade, suspensos pelos fios invisíveis da pausa e do silêncio.
Como avalia a dançarina Marina Coura, diretora do festival: “O evento foi um sucesso. Tivemos um publico espectador estimado em aproximadamente 2500 pessoas.” Talvez as razões do Floripa Tap ser bem-sucedido está no oferecimento de diversas atividades para as pessoas interessadas. Um exemplo está na criação da Mostra de Dança como espaço para todos os participantes poderem mostrar seus trabalhos e terem um feedback por escrito de cada professor do evento. Outro diferencial, é a noite de performance presenteando o público – composto por familiares, estudantes e profissionais da dança – com a mescla das apresentações de solos e grupos dos alunos da Escola Garagem da Dança com os professores internacionais do evento como Yukiko Smilie Misumi, Japão, Daniel Borak , Suiça, Lane Alexander e Star Dixon, Estados Unidos; e os convidados nacionais dentre quais estão: Christiane Matallo, artista que sapateia e toca sax tenor simultaneamente, Melissa Tannús, Leandro Fortes, Diego Tavares. Vale salientar, a escolha de convidar profissionais com propostas diferenciadas para ministrar oficinas, tal como o dançarino Luyz Baltijão (SP), que está a comemorar trinta anos de carreira , e ofereceu o curso “Sinapses in tap”, propondo associações motoras que visam desenvolver o ritmo e a musicalidade do sapateador. Ele comenta: “Participar de um festival de sapateado na condição de um professor, em muito contribui para que nossa forma de ver, sentir e expressar o sapateado possa ser repartida com um número expressivo de sapateadores. O intercâmbio entre os profissionais que atuam ao nosso lado também influenciam nossa abordagem.”
A motivação dos participantes do Floripa Tap vem da liberdade que o sapateado oferece, “é uma modalidade democrática, para todos os estilos, estéticas, ritmos, corpos e idades”, acrescenta Marina Coura. Em 29 de abril, Dia Mundial da Dança, mobilizem-se: caminhando e dançando, seguimos a canção, que vem das batidas dos pés e também do coração.

Fotografia Roger Rodrigues

O Ser na mão dela

O Ser na mão dela

 Por Ida Mara Freire em conversas com V.

O ser na minha mão. Sentimental. Não é meloso. Não é ficar dolorida.  Mas,  é  você ter  uma palavra…  Pegar na mão, fazer um afago,  participar com alguma  coisa.  Se há algo que me aconteceu, que marcou,  a vida deu uma virada para melhor, foi a morte do meu pai. Eu  tinha 8 anos. Eu perguntava dentro de mim:  Por que  a vida não era assim  quando ele estava vivo?  Um som que me preenche toda: a música.  Cores que evito: o  preto, fico muito fechada, e o vermelho, acho escandaloso.  Desejos já realizados: a filha mais moça já  se formou. Consegui conquistar todas as metas da vida: Namorei. Casei. Tenho filhos, netos e bisnetos.  Um desejo… recuperar um pouco a visão para ver  meus bisnetos.  A mão se mostra  solidária.

 

Grupo Meditação  Encontro 16 de Abril

Grupo Meditação Encontro 16 de Abril

Olá

Sábado 16 de Abril as 17hs estaremos nos encontrando para meditar juntos.

Leitura da Semana

Espaço para ser

Leitura de Domingo, 10 Abril 2016
John Main, OSB
O MOMENTO DE CRISTO (São Paulo, PAULUS, 2004), pg. 132.

Para nos conhecermos, para nos compreendermos e, para . . . obtermos uma perspectiva correta de nós mesmos e de nossos problemas, precisamos simplesmente entrar em contato com nosso espírito. Toda auto-compreensão surge como resultado de nos entendermos como seres espirituais e, apenas o contato com o Espírito Santo pode nos conferir toda a amplitude da compreensão . . . Esse caminho não é difícil. É muito simples. Mas, realmente demanda um sério comprometimento . . .
O caminho da meditação é muito simples. Tudo o que cada um de nós precisa fazer, é ficar tão imóvel quanto possível, física e espiritualmente . . . Aprender a meditar, é aprender a abandonar seus pensamentos, idéias e imaginação e, a descansar nas profundezas de seu próprio ser. Lembre-se sempre disso. Não pense, não utilize quaisquer palavras, a não ser sua própria palavra, não imagine nada. Apenas entoe, repita a palavra nas profundezas de seu espírito e, ouça-a. Concentre-se nela, com toda sua atenção.
Por que isso é tão poderoso? Basicamente, porque nos dá o espaço que nosso espírito precisa para poder respirar. Nos dá, a cada um de nós, o espaço para sermos nós mesmos. Quando você medita, você não precisa se desculpar e, você não precisa se justificar. Tudo o que você precisa fazer, é ser você mesmo, é aceitar, das mãos de Deus, a dádiva de seu próprio ser. . . E, nessa aceitação você começará a viver sua vida em harmonia, harmonia interior, porque todas as coisas em sua vida passarão a se harmonizar com toda a criação, pois você terá encontrado o seu lugar. E aquilo que é surpreendente é que o seu lugar não é nada menos do que o de estar enraizado e fundamentado em Deus.

Texto original em inglês

An excerpt from John Main OSB, “Space to Be,” MOMENT OF CHRIST (New York: Continuum, 1998), pp. 92-93.

To know ourselves, to understand ourselves and to . . .get ourselves and our problems in perspective, we simply must make contact with our spirit. All self-understanding arises from understanding ourselves as spiritual beings, and it is only contact with the universal Holy Spirit that can give us the depth and the breadth to understand. . .The way to this is not difficult. It is very simple. But it does require serious commitment. . .

The way of meditation is very simple. All each of us has to do is to be as still as possible in body and in spirit. . . .Learning to meditate is learning to let go of your thoughts, ideas and imagination and to rest in the depths of your own being. Always remember that. Don’t think, don’t use any words other than your own word, don’t imagine anything. Just sound, say the word in the depths of your spirit and listen to it. Concentrate upon it with all your attention.

Why is this so powerful? Basically, because it gives us the space that our spirit needs to breathe. It gives each of us the space to be ourselves. When you are meditating you don’t need to apologize for yourself and you don’t need to justify yourself. All you need to do is to be yourself, to accept the gift of your own being. . . . And in that acceptance you will begin to live your life in harmony, harmony within yourself, because everything in your life will come into harmony with all creation, because you will have found your place. And the astonishing thing is that your place is nothing less than to be rooted and founded in God.