Vamos Meditar Outubro 2018

Vamos Meditar Outubro 2018

Sobre o tédio

“Um jovem veio a mim para me perguntar: “Como você aguenta olhar através de sua janela e ver as mesmas coisas todos os dias?  Isso não te enlouquece?”  Talvez a verdadeira pergunta devesse ser: “Como é que sempre podemos ver tanto, olhando todos os dias através da mesma janela?”  Os primeiros Padres sabiam que o tédio surge do desejo, do desejo de satisfação ou de fama, de algo novo, de uma modificação no ambiente ou na atividade, de diferentes relacionamentos, de um novo brinquedo, qualquer que ele seja. A prece pura faz com que o desejo encolha.  Na quietude da prece, que quanto mais nos aproximamos da Fonte de tudo o que existe (e de tudo o que pode existir) torna-se cada vez mais quieta,  somos preenchidos com tanta admiração, que não sobra mais lugar para o desejo.  Não se trata de que tenhamos transcendido o desejo, mas, na verdade, de que simplesmente não há mais lugar em nós para esse desejo.  Todo o nosso espaço está sendo preenchido com a admiração a Deus.  A atenção, que se dispersa quando desejamos, é recolhida e absorvida em Deus. [….] Ao meditar, abandonamos o desejo de controlar, de possuir, de dominar.  Em lugar disso, buscamos apenas ser quem somos e, sendo a pessoa que somos, estamos abertos para o Deus que é.  Como resultado dessa abertura é que somos preenchidos com a admiração, e com o poder e a energia de Deus, que é o poder de ser, e a energia para amar.  [E] quando amamos, é impossível nos entediarmos.”

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração “Maranatha”. Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

original em inglês:
An excerpt from Fr John Main, “Two Words From the Past,” in THE HEART OF CREATION (New York: Continuum, 1998), pp. 42-44.
A young man came to see me and asked, “How can you bear to look out of your window and see the same thing every day? Doesn’t it drive you mad?” Perhaps the real question should be, “How is it we can always see so much, looking out of the same window everyday?” The early fathers knew that boredom comes from desire, the desire for fulfillment or fame, for something new, for a change of environment or activity, for different relationships, for a new toy, whatever it might be. Pure prayer shrinks desire. In the stillness of prayer, increasingly still as we approach the Source of all that is, of all that can be, we are so filled with wonder that there is no place for desire. It is not so much that we transcend desire but rather that there is simply no place in us any longer for such desire. All our space is being filled with the wonder of God. The attention that is scattered in desiring is recalled and absorbed in God. [. . . .] Meditating, we let go of the desire to control, to possess, to dominate. We seek instead only to be who we are and being the person we are, we are open to the God who is. It is as a result of that openness that we are filled with wonder and with the power and energy of God, which is the power to be and the energy to be in love. [And] when we are in love it is impossible to be bored.

 

 

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Série Coração Compreensivo – Medite, Reflita e Escreva [1/21] A Sabedoria da Paz

Série Coração Compreensivo – Medite, Reflita e Escreva [1/21] A Sabedoria da Paz

Aprenda a cultivar um coração compreensivo em tempos de incertezas

Durante   21  dias  estarei postando aqui  breves  reflexões, meditações e orações para nos inspirarmos com criatividade e esperança e contribuirmos com um mundo melhor para a humanidade.

“Dá, Senhor, à nossa vida a sabedoria da paz. Que o nosso coração não naufrague na lógica  de tanta violência disseminada ao nosso redor. Que os sentimentos  de dor ou de despeito não sufoquem a necessidade dos gestos de reconciliação, a urgência de uma palavra amável que rompa as paredes do silêncio, o reencontro dos olhares que se desviam. Dá-nos a força de insinuar no inverno gelado em que, por vezes vivemos, o ramo verde, a inesperada flor, a claridade que é esta irreprimível e pascal vontade de recomeçar.”

[José Tolentino Mendonça, Um Deus que dança: intinerários para a oração]

 

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração “Maranatha”. Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

 

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Livro: A duração da dor

Dança e Perdão

A África do Sul escolheu seguir, como corpo nacional, um caminho longo, íngreme e insólito chamado reconciliação, tendo como líder Nelson Rolihlahla Mandela. Madiba, como era carinhosamente chamado o pai da nação sul africana, acreditava que para as pessoas negras, oprimidas, serem livres era necessário que as pessoas brancas, opressoras, também o fossem. Para isso, concordando com seu amigo Desmond Tutu, reconheceu que era necessária a escolha do perdão.

Em 1976, no Brasil, ao ouvir, ver e ler as notícias da África do Sul, eu menina, me identificava com as meninas da África do Sul, e mesmo à distância, como uma personagem coadjuvante, participava do drama de algumas e do trauma de muitas outras. Os frágeis corpos negros sendo alvejados é uma imagem que me assombra até hoje. Mas ver um grupo de estudantes uniformizados dançarem toyi-toyi na linha de frente, no confronto com policiais, observar seus passos destemidos diante da morte me intrigava. Que dança é essa?

Essa pergunta me levou para a África do Sul. Em Soweto deparei-me com a arquitetura do apartheid. Caminhando de mãos dadas com a minha filha pelas ruas da Cidade do Cabo, tentei observar como o gesto do aperto de mãos entre Mandela e De Kleck era imitado pela comunidade sul-africana.

Instalada na Faculdade de Dança da UCT University of Cape Town, acompanhei a vida dos estudantes e dançarinos que por ali estavam em ensaios, aulas, estudos, pesquisas e apresentações. Após um período de oito meses de imersão etnográfica, comecei a escuta das vozes do silêncio. Convidei dançarinos de diferentes modalidades [dança africana, indiana, comunitária, balé clássico]; e líderes espirituais de religiões distintas [africana, cristã, islã e judaísmo] para falarem de suas experiências com o toyi-toyi, o perdão, o silêncio e a criança como metáforas da esperança.

Essa escuta revelou um rico repertório de depoimentos, informações e confissões. O que fazer com essas palavras? Relatos? Relatórios? Artigos? Vieram ensaios, danças e conversas dançadas. E, agora, apresento aqui o meu ritual de iniciação na literatura: ficcionar poeticamente a dura realidade do apartheid.

Dez personagens centrais, entre eles estão dançarinas, professores, policiais, mães, líderes espirituais, jovens, pessoas cujas vidas são marcadas pelo regime do apartheid e que tentam juntar as peças para compreender os desafios da reconciliação. Para uns, o perdão se configura como o primeiro passo para se reconciliar consigo mesmo. Para outros, o perdão se apresenta como a possibilidade de assumir um compromisso com o ser no mundo.

Cada personagem apresenta seus dilemas psicológicos, filosóficos, espirituais, intelectuais, políticos, afetivos, artísticos e existenciais que envolvem a vida e a morte. O que se põe a ver é a vida com seus desafios, que simultaneamente oferece a cada ser atitudes criativas e contemplativas no corpo, na dança e na meditação, espaços sagrados para a reconciliação. Desses lugares redescobrimos a alegria, a liberdade e a compreensão.

O conto “A duração da dor, primeiro volume da série “Dança e Perdão” convida a leitora e o leitor para uma jornada criativa acerca das possibilidades do perdão.

Sinopse

Na última década do regime apartheid na África do Sul, Sharmila Rama, ainda uma menina, testemunha o violento evento conhecido como Cavalo de Troia que ocorre em Atlone, subúrbio da Cidade do Cabo. Dez anos depois, no silêncio do seu quarto, enquanto tenta acender uma lamparina, atormenta-a a culpa por ter negado ajuda para Indra Kallil, seu primo e melhor amigo, minutos antes de ele ser morto no confronto entre estudantes e policiais. Kawany Maal, sua professora de dança clássica Odissi, a ajuda a buscar no Sagrado a compreensão da sua fenomenologia da dor. A dança e a meditação são as fontes de sabedoria através das quais ela ilumina a razão para perdoar a si mesma e avivar a chama da alegria de viver.

Comentários das Leitoras

“ Fiquei muito entusiasmada com a leitura. Quanta sensisibilidade e potencial na sua descrição… Ao percorrer os escritos fui tomada pela vida, pela dor e angústias de Sharmila, mas igualmente pela busca do lugar do perdão….e, a dança de forma singular, arrastando-a para as alegrias da vida! Confesso que me encontrei muito nessa passagem…
‘Quando está a dançar sente-se chamada pelo seu nome…’ Quanta lindeza !!!”

Danieli Alves Pereira Marques [Doutora em Educação Física pela UFSC. Professora efetiva da Universidade Estadual de Roraima (UERR). Atua na área de dança e educação, corpo e linguagem]

“Enternecedor!!!! Uma ponte construída entre a África e a Índia, com uma intensidade delicada e escrita primorosa.
E sobre a dor… assim como a dança Odissi é uma importante parte dos rituais diários de adoração, a dor faz parte da essência humana.
É admirável como conseguiu transcrever com leveza e “beleza” este sentimento que as vezes escondemos tanto. Acredito que a dança e a meditação sejam o veículo para essa compreensão e (in)diretamente para a compreensão de si mesmo, e foi exatamente o que senti lendo seu conto.
Confesso que me vi na menina Sharmila em alguns momentos…
Lembrei de Gibran:
“… e passaríeis com serenidade os invernos das vossas mágoas. Muita da vossa dor é escolhida por vós. É a poção amarga com a qual o médico dentro de vós cura o vosso interior doente.”
Lindo conto! Uma poesia para se falar da dor e das transformações interiores que este sentimento traz!”

Adriane Martins [Professora de Dança e Dançarina de Dança Indiana]

Participe do Lançamento: 

Barca dos Livros dia 18/10/2018 – das 19h às 20:30.