Quadros Vivos e Dançantes

Quadros Vivos e Dançantes

Cecília Vilela nos recebe com seu sorriso singelo entre suas tapeçarias expostas no Museu da Escola Catarinense (Mesc), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), durante abertura da exposição que ocorreu dia 15 às 20h.

Algumas professoras, dançarinas e bailarinos: Bia Vilela, Lucila Vilela, Diana Gilardenghi, Thais Roloff, Monica Kukulka, Lela Martorano, Roberta Oliveira, Analu Ciscato, Iam Campigotto e Branca Cabral integrantes do Bia Vilela Espaço de Dança, para homenagear Cecilia que, com a suavidade de quem domina a arte de tecer, contribuiu para a história da dança na cidade de Florianópolis, apresentaram performances a partir de suas tapeçarias. As  performances foram construídas com o conceito de tableau vivant (quadro vivo), apresentando um diálogo entre arte e dança.

A exposição “Quadros” mostra o trabalho de  tapeçaria de Cecilia Vilela realizado durante mais de vinte anos, com reproduções de reconhecidas pinturas que fazem parte do repertório da História da Arte Ocidental. As tapeçarias escolhidas pela curadora Lucila Vilela  para compor a mostra, reproduzem quadros de Diego Rivera, René  Magritte, Marc  Chagall, Vittorio Zecchin, Gustav Klimt, Cícero Dias, Rodrigo de Haro e Tarsila do Amaral.

Expostas ao  público pela primeira vez, as tapeçarias de Cecilia reúnem um conjunto de imagens que migram do quadro para o tapete, transpondo linguagens através da apropriação de pinturas. Um laborioso trabalho feito no movimento da agulha, elaborado na paciência do dia.

Cecilia Vilela é diretora do Bia Vilela Espaço de Dança, escola que fundou em 1996, em Florianópolis. A artista fazia seus  tapetes enquanto administrava o espaço, que funcionou até o final do ano de 2018, no Centro da Capital.

Um espaço que movimentou o cenário de dança na cidade. Com aulas de ballet clássico, dança contemporânea, jazz, dança flamenca, sapateado, dança de rua, dança de salão, dança do ventre, dança afro, dança mix, entre outras. Os quase 4 mil alunos que por ali passaram “encontraram em nosso espaço o trabalho de qualidade que nos empenhamos em oferecer e um lugar aconchegante e feliz. Bom saber que chegamos a fazer uma diferença em suas trajetórias. No palco da vida as histórias se completam e temos que aceitar quando as cortinas se fecham. Mas nos bastidores não ficamos com a tristeza do fim e sim com a alegria do sucesso, da missão cumprida e dos aplausos recebidos” escrevem: Cecilia, Lucila e Bia.

Serviço:

O Museu da Escola Catarinense (Mesc), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), apresentará entre 15 e 31 de janeiro a primeira exposição do ano: “Quadros”, tapeçarias de Cecilia Vilela. A inauguração do espaço será realizada às 20h do primeiro dia. A visitação é gratuita e aberta à comunidade em geral. 

O que você  cria com a dor?

O que você cria com a dor?

O corpo deitado em posição fetal, em um leito hospitalar, permanece imobilizado pela memória de uma inseparável dor. As dezenas de embalagens de caixas de remédio em um armário de vidro transparece aquilo que ela expressa em cena, em tela, em branco, em preto e nas cores de uma palheta que imprime os tons da sua existência.   Silvana Macêdo, professora do PPGAV, Udesc, atuante nas áreas de pintura, instalação e artes midiáticas, exibiu recentemente na Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti e no Memorial Meyer Filho, as exposições “Entranhas” e  “Mácula,” com curadoria de Juliana Crispe, o projeto expositivo também contou com duas apresentações da performance “Maculada”.

O apreciador das obras da exposição “Entranhas”, possivelmente percebeu que a artista desvela poeticamente uma taxonomia das paisagens interiores de um corpo demarcado pela doença auto-imune Lupus Eritematoso Sistêmico. Em tela, os órgãos, tecidos e células que se confundem com folhas, galhos, raízes e com ambientes subaquáticos, ilustram o trajeto de dentro e de fora de uma incansável busca pela cura. “Existe uma estranha relação entre desejo e distância. Muitas vezes, o desejo por aquilo que está fora do alcance cresce com a distância através de uma nostalgia espacial. É essa dinâmica que inverte distâncias ao fortalecer a presença imaginada daquilo que está longe”, escreve Silvana Macêdo, demonstrando outras dimensões atribuída ao corpo no espaço.

Em “Mácula”, na exposição composta por pinturas em nanquim, gravura em metal, performance e instalação, a artista aprofundou a investigação das relações intracorporais que reverberam nos órgãos: coração, baço, timo e rim. Através da fluidez dos efeitos plásticos das aguadas, ofereceu ao espectador a delicada experiência contemplativa da vida gestada no coração.

Na performance “Maculada”, Silvana, fez de seu corpo uma tela, na qual delineia ritualisticamente os pontos sensíveis da memória. Manchas que tenta apagar com gestos que encenam limpeza e purificação. Na parede soletra sua técnica: palavras gravadas no corpo com incisão direta da perda e banhos do perdão.

Mas, leitor e leitora, como que essa poética de um corpo no espaço terrestre mesclado pelas experiências vividas e suas memórias, se relaciona com uma poética de corpos celestes? Essa e outras indagações poderão ser exploradas na Roda de Conversa no evento “Arte & Ciência” e na Exposição vídeo instalação “lua & oceanos (a lua e a dialética da separação)”,  com Silvana Macêdo, a participação da artista finlandesa Henna Asikainen e a presença do astrofísico Reza Tavakol, dia 22 novembro, às 20hs, no Museu da Imagem e do Som.

Publicado  no Caderno Plural do Jornal Notícias do dia 18-19 de Novembro 2017

Performance-Maculada-Foto-Duda-Desrosiers-Div.jpg

Pergunta: O que você cria com a sua dor?

“Será que é de éter a vida  da atriz?”

“Será que é de éter a vida da atriz?”

foto de Cristiano Prim

 

A Companhia de Dança Lápis de Seda e Cláudia Passos voltam a apresentar em Florianópolis, no palco do Teatro Ademir Rosa, em 24 e 25 de janeiro, às 21h, a montagem Será que É de Éter?

A partir do universo criativo de Chico Buarque, mestre na arte de enaltecer o homem comum, o espetáculo contrapõe a imagem de uma multidão de faces anônimas e individualidades perdidas. Na jornada da Lápis de Seda, a permanente busca das diferenças. Em vez da negação, a evidência; em vez da ocultação, a valorização. Ao invés das semelhanças, a descoberta de outros lugares de aceitação, a crença de formas singulares de convivência coletiva, o desejo de pertencimento e de encontro com o sem igual. Criação coreográfica colaborativa, a partir de movimentações trazidas pelos bailarinos, a partilha de vida e cotidiano carregados de inquietações e poesia, a revelação de como se enquadram anonimamente na multidão e se libertam das amarras por meio da dança. Com expressivos músicos e a interpretação de Cláudia Passos, a experiência quer a potência daquilo que está além de cada um, ou seja, uma possível expansão de novos significados.

O projeto que propõe reflexões sobre dança contemporânea, memória e diferença. A partir de um corpo visível na representação de si próprio, o grupo opera uma construção discursiva e social sobre a arte do movimento e da música. Com a complexidade de um espetáculo com música ao vivo, Será que É de Éter? aproxima música, dança contemporânea e o desejo de homenagear o consagrado cantor e compositor Chico Buarque. Sob a direção coreográfica de Ana Luiza Ciscato e a direção musical de Luiz Gustavo Zago, a intérprete e os seis instrumentistas se apresentam em meio aos conceitos “cênicos” da sound e light designer Hedra Rockenbach.

O projeto, que contempla criação e circulação da montagem, tem o incentivo do Ministério da Cultura via Lei Rouanet e o patrocínio da empresa Cateno. E conta com o apoio do governo do Estado de Santa Catarina, através da Secretaria de Estado do Turismo, Cultura e Esporte e da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), da Prefeitura Municipal de Florianópolis através da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin, da Fecoagro e Projeta Planejamento e Marketing.

A companhia
Corpo, diferença, política de inclusão, independência artística e construção identitária são palavras-chave para a Companhia de Dança Lápis de Seda. Idealizada pelo Baobah Novas Formas de Inteligência em 2014, em Florianópolis (SC), aposta na valorização das diferenças individuais.
Sob a coordenação da diretora artística Ana Luiza Ciscato, Lápis de Seda reúne dez bailarinos com diferentes capacidades e formações. Jovens e adultos, 60% são considerados com deficiência intelectual e/ou motora e 40% sem deficiência. A faixa etária se situa entre 20 e 50 anos.

Equipe técnica
Será que É de Éter? (1h)
Direção geral e coreografia: Ana Luiza Ciscato
Direção artístico musical e intérprete: Cláudia Passos
Direção musical e arranjos: Luiz Gustavo Zago
Coordenação geral: Arte Movimenta
Produção executiva: Neiva Ortega
Bailarinos: Ana Flavia Piovezana, Aroldo Gaspar, Deivid Velho, Fabiana Marques, Gabriel Figueira, João Paulo Marques, Maura Marques, Paulo Soares, Ramon Noro, Roberta Oliveira e Silvia Gevaerd (bailarina estagiária)
Banda: Luiz Gustavo Zago (piano), Iva Giracca (violino), Felipe Arthur Moritz (sax, flauta), Dudu Pimentel (violão e guitarra), Leandro Fortes (violão e bandolim) e Alexandre Damaria (percussão)
Iluminação/cenotécnico: Hedra Rockenbach
Figurinista: Gabriela Bosco Dutra
Sonorização: Juarez Mendonça Jr.
Fotografia e vídeo: Cristiano Prim
Projeto gráfico e criação de máscaras: Ramon Noro
Assessoria de imprensa: Néri Pedroso

Serviço Florianópolis
O quê: Será que É de Éter – Cia. Lápis de Seda – Claudia Passos e Convidados
Quando: 24 e 25.1.2018, 21h
Onde: Teatro Ademir Rosa, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, bairro Agronômica, Florianópolis, tel.: (48) 3664-2685 (bilheteria)
Quanto: R$ 20 / R$ 10 (meia)

Saiba mais:http://www.lapisdeseda.com/ Face: Cia Lápis de Seda

Fonte: Néri Pedroso.