Encalhação [ato e ausência]

Encalhação [ato e ausência]

Foto  Ida Mara Freire – Campeche

Enquanto caminho, medito:

Hoje sai para fazer minha caminhada na praia bem cedo. Surpreendo-me com uma paisagem humana  composta de um grupo de jovens,  som do carro nas alturas, bebida, fumo, duas garotas entre eles. Happy Hour.

Livres

O céu, o mar aberto

Liberdade aparente

Nuvens

Ilha

Caminho

Olho para o chão

Percebo minúsculas encalhações

Retorno

Sem carros e sem som

Jovens e adultos  em confrontação

 

 

 

Meditação: um caminho para aprendermos a nos relacionar.

Meditação: um caminho para aprendermos a nos relacionar.

Foto Ida Mara Freire

Vamos meditar nesse sábado dia 27 de agosto, 17 horas. E como escreve John Main: “A meditação e, o constante retorno a ela, todos os dias de nossa vida, é como abrirmos caminho em direção à realidade.  Uma vez que conhecemos nosso lugar, começamos a ver tudo sob uma nova luz, por termo-nos tornado quem realmente somos.  A meditação se pratica em solitude, mas, é o grande caminho para aprendermos a nos relacionar. A razão deste paradoxo é que, ao entrarmos em contato com nossa própria realidade, ganhamos a confiança existencial para alcançar as outras pessoas, para encontrá-las em seu verdadeiro nível. Por isso, o elemento solitário da meditação, misteriosamente é o verdadeiro antídoto para a solidão. Tendo entrado em contato com nossa conformidade com a realidade, não mais somos ameaçados pela diversidade de outrem. Não estaremos sempre buscando nos afirmar. Estaremos fazendo a busca do amor, buscando a realidade do outro. . . . Na visão cristã da meditação. . .encontramos a realidade do grande paradoxo ensinado por Jesus: Caso queiramos encontrar nossas vidas, deveremos estar preparados para perdê-las. Ao meditarmos, é exatamente isso o que fazemos. Nos encontramos por estarmos preparados para nos abandonarmos, para nos lançarmos às profundezas. . .que logo se mostram como sendo as profundezas de Deus.”

Medite por Trinta Minutos

Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração “Maranatha”. Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.

original em inglês

An excerpt from John Main OSB, “Straying from the Mantra,” THE HEART OF
CREATION (New York: Continuum, 1998), pp. 9-10.

Meditation and the constant return to it, every day of your life, is like cutting a pathway through to reality. . . And it is no small thing to enter reality, to become real, to become who we are, because in that experience we are freed from all the images that so constantly plague us. We do not have to be anyone’s image of ourselves, but simply the real person we are.

Meditation is practiced in solitude but it is the great way to learn to be in relationship. The reason for this paradox is that, having contacted our own reality, we have the existential confidence to go out to others, to meet them at their real level. And so the solitary element in meditation is mysteriously the true antidote to loneliness. Having contacted our conformity with reality, we are no longer threatened by the otherness of
others. We are not always looking for an affirmation of ourselves. We are making love’s search, looking for the reality of the other. . . . In the Christian vision of meditation. . .we find the reality of the great paradox Jesus teaches: If we want to find our lives we have to be prepared to lose them. In meditating, that is exactly what we do. We find ourselves because we are prepared to let go of ourselves, to launch ourselves out into the depths—which soon appear to be the depths of God.