Palavras que surgem  do silêncio

Palavras que surgem do silêncio

Hoje apresento aqui uma nova sessão intitulada “Palavras que surgem do silêncio”. Como vocês  sabem prático  desde 2004 a meditação cristã.  Enquanto  se  está no silêncio, não há nada a fazer, apenas ouvir a reverberação da palavra-oração pulsando no coração.  Geralmente começo meu dia assim, e em seguida escrevo. Muitos dos textos  que escrevo são oriundos  do silêncio, das minhas caminhadas… E vocês também sabem que eu sou apaixonada por fotografia. Como tenho recebido muitas mensagens com imagens, parece-me divertido explorar essa possibilidade de mesclar  palavras com imagens e partilhar com vocês a minha percepção do mundo.

Quais são as palavras que surgem  do seu  silêncio?

“Será que é de éter a vida  da atriz?”

“Será que é de éter a vida da atriz?”

foto de Cristiano Prim

 

A Companhia de Dança Lápis de Seda e Cláudia Passos voltam a apresentar em Florianópolis, no palco do Teatro Ademir Rosa, em 24 e 25 de janeiro, às 21h, a montagem Será que É de Éter?

A partir do universo criativo de Chico Buarque, mestre na arte de enaltecer o homem comum, o espetáculo contrapõe a imagem de uma multidão de faces anônimas e individualidades perdidas. Na jornada da Lápis de Seda, a permanente busca das diferenças. Em vez da negação, a evidência; em vez da ocultação, a valorização. Ao invés das semelhanças, a descoberta de outros lugares de aceitação, a crença de formas singulares de convivência coletiva, o desejo de pertencimento e de encontro com o sem igual. Criação coreográfica colaborativa, a partir de movimentações trazidas pelos bailarinos, a partilha de vida e cotidiano carregados de inquietações e poesia, a revelação de como se enquadram anonimamente na multidão e se libertam das amarras por meio da dança. Com expressivos músicos e a interpretação de Cláudia Passos, a experiência quer a potência daquilo que está além de cada um, ou seja, uma possível expansão de novos significados.

O projeto que propõe reflexões sobre dança contemporânea, memória e diferença. A partir de um corpo visível na representação de si próprio, o grupo opera uma construção discursiva e social sobre a arte do movimento e da música. Com a complexidade de um espetáculo com música ao vivo, Será que É de Éter? aproxima música, dança contemporânea e o desejo de homenagear o consagrado cantor e compositor Chico Buarque. Sob a direção coreográfica de Ana Luiza Ciscato e a direção musical de Luiz Gustavo Zago, a intérprete e os seis instrumentistas se apresentam em meio aos conceitos “cênicos” da sound e light designer Hedra Rockenbach.

O projeto, que contempla criação e circulação da montagem, tem o incentivo do Ministério da Cultura via Lei Rouanet e o patrocínio da empresa Cateno. E conta com o apoio do governo do Estado de Santa Catarina, através da Secretaria de Estado do Turismo, Cultura e Esporte e da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), da Prefeitura Municipal de Florianópolis através da Fundação Cultural de Florianópolis Franklin, da Fecoagro e Projeta Planejamento e Marketing.

A companhia
Corpo, diferença, política de inclusão, independência artística e construção identitária são palavras-chave para a Companhia de Dança Lápis de Seda. Idealizada pelo Baobah Novas Formas de Inteligência em 2014, em Florianópolis (SC), aposta na valorização das diferenças individuais.
Sob a coordenação da diretora artística Ana Luiza Ciscato, Lápis de Seda reúne dez bailarinos com diferentes capacidades e formações. Jovens e adultos, 60% são considerados com deficiência intelectual e/ou motora e 40% sem deficiência. A faixa etária se situa entre 20 e 50 anos.

Equipe técnica
Será que É de Éter? (1h)
Direção geral e coreografia: Ana Luiza Ciscato
Direção artístico musical e intérprete: Cláudia Passos
Direção musical e arranjos: Luiz Gustavo Zago
Coordenação geral: Arte Movimenta
Produção executiva: Neiva Ortega
Bailarinos: Ana Flavia Piovezana, Aroldo Gaspar, Deivid Velho, Fabiana Marques, Gabriel Figueira, João Paulo Marques, Maura Marques, Paulo Soares, Ramon Noro, Roberta Oliveira e Silvia Gevaerd (bailarina estagiária)
Banda: Luiz Gustavo Zago (piano), Iva Giracca (violino), Felipe Arthur Moritz (sax, flauta), Dudu Pimentel (violão e guitarra), Leandro Fortes (violão e bandolim) e Alexandre Damaria (percussão)
Iluminação/cenotécnico: Hedra Rockenbach
Figurinista: Gabriela Bosco Dutra
Sonorização: Juarez Mendonça Jr.
Fotografia e vídeo: Cristiano Prim
Projeto gráfico e criação de máscaras: Ramon Noro
Assessoria de imprensa: Néri Pedroso

Serviço Florianópolis
O quê: Será que É de Éter – Cia. Lápis de Seda – Claudia Passos e Convidados
Quando: 24 e 25.1.2018, 21h
Onde: Teatro Ademir Rosa, av. Gov. Irineu Bornhausen, 5.600, bairro Agronômica, Florianópolis, tel.: (48) 3664-2685 (bilheteria)
Quanto: R$ 20 / R$ 10 (meia)

Saiba mais:http://www.lapisdeseda.com/ Face: Cia Lápis de Seda

Fonte: Néri Pedroso.

Quem te acompanha no Natal?

Quem te acompanha no Natal?

“Na manjedoura estava calmo e bom…”  Leio Clarice Lispector aqui na Casa de Retiros, no morro das pedras.  Um final de semana para dedicar-me à escrita,  em silêncio estou. Durante as refeições, encontro-me com as pessoas integrantes de dois grupos que estão na casa: um em silêncio, outro não.

“Era tardinha, ainda não se via a estrela…” Leio Clarice. É bom saber quem te acompanha no silêncio e no espaço sagrado.

“Por enquanto o nascimento era só  de família. Os outros sentiam mas ninguém via. Na tarde já escurecida, na palha cor de ouro, tenro como um cordeiro refulgia o menino, tenro como o nosso filho. Bem de perto, uma cara de boi e outra de jumento olhavam, e esquentavam o ar com o hálito do corpo. Era depois do parto e tudo úmido repousava, tudo úmido respirava. Maria descansava o corpo cansado, sua tarefa no mundo seria a de cumprir o seu destino e ela agora repousava e olhava. José, de longas barbas, meditava; seu destino, que era o de entender, se realizava. O destino da criança era o de nascer. E os bichos ali se fazia e refazia: o de amar sem saber que amavam. A inocência dos meninos, esta a doçura dos brutos compreendia. E antes dos reis, presenteavam o nascido com o que possuíam: o olhar grande que eles têm e a tepidez do ventre que eles são.”

Leio Clarice,  atento como ela recorda, dá cordas ao coração ao narrar o nascimento de Jesus Cristo. Nessa semana, ao fazer minha resenha do módulo teologia sistemática, leio em Paul Tillich que a análise da situação humana emprega materiais disponibilizados  pela auto-interpretação criativa do ser humano em todos os âmbitos da cultura: na filosofia, na poesia, no drama, no romance, na psicoterapia, na sociologia. O teólogo organiza esses materiais em relação com a resposta  dada pela mensagem cristã às perguntas implícitas  na existência  humana.

“A humanidade é filha de Cristo homem, mas as crianças, os brutos e os amantes são filhos daquele instante na manjedoura. Como são filhos de menino, e seus erros são iluminados: a marca do cordeiro é o seu destino. Eles se reconhecem por uma palidez na testa, como a de uma estrela de tarde, um cheiro de palha e terra, uma paciência de infante…”

Leio Clarice, estamos em dezembro de 2017. Lembro-me com gratidão dos encontros no silêncio, das viagens, das pessoas e suas jornadas, das conversas dançadas entre o ver e o não ver, a mudança da minha mãe, a crescente autonomia da minha filha, o convívio familiar,  a redescoberta da fluidez das águas, o andar de mãos dadas, as novas e as eternas amizades… as palavras, a escrita, o jardim, o cheiro  do alecrim.

“Também as crianças, os pobres de espírito e os que se amam são recusados nas hospedarias. Um menino, porém, é o seu pastor e nada lhes faltará. Há séculos eles se escondem em mistérios e estábulos onde pelos séculos repetem o instante do nascimento: a alegria dos homens.”

Na manjedoura estava calmo e bom…

Quem tem acompanha no silêncio e no espaço sagrado?