O Ser na mão dela

O Ser na mão dela

 Por Ida Mara Freire em conversas com V.

O ser na minha mão. Sentimental. Não é meloso. Não é ficar dolorida.  Mas,  é  você ter  uma palavra…  Pegar na mão, fazer um afago,  participar com alguma  coisa.  Se há algo que me aconteceu, que marcou,  a vida deu uma virada para melhor, foi a morte do meu pai. Eu  tinha 8 anos. Eu perguntava dentro de mim:  Por que  a vida não era assim  quando ele estava vivo?  Um som que me preenche toda: a música.  Cores que evito: o  preto, fico muito fechada, e o vermelho, acho escandaloso.  Desejos já realizados: a filha mais moça já  se formou. Consegui conquistar todas as metas da vida: Namorei. Casei. Tenho filhos, netos e bisnetos.  Um desejo… recuperar um pouco a visão para ver  meus bisnetos.  A mão se mostra  solidária.

 

Grupo Meditação  Encontro 16 de Abril

Grupo Meditação Encontro 16 de Abril

Olá

Sábado 16 de Abril as 17hs estaremos nos encontrando para meditar juntos.

Leitura da Semana

Espaço para ser

Leitura de Domingo, 10 Abril 2016
John Main, OSB
O MOMENTO DE CRISTO (São Paulo, PAULUS, 2004), pg. 132.

Para nos conhecermos, para nos compreendermos e, para . . . obtermos uma perspectiva correta de nós mesmos e de nossos problemas, precisamos simplesmente entrar em contato com nosso espírito. Toda auto-compreensão surge como resultado de nos entendermos como seres espirituais e, apenas o contato com o Espírito Santo pode nos conferir toda a amplitude da compreensão . . . Esse caminho não é difícil. É muito simples. Mas, realmente demanda um sério comprometimento . . .
O caminho da meditação é muito simples. Tudo o que cada um de nós precisa fazer, é ficar tão imóvel quanto possível, física e espiritualmente . . . Aprender a meditar, é aprender a abandonar seus pensamentos, idéias e imaginação e, a descansar nas profundezas de seu próprio ser. Lembre-se sempre disso. Não pense, não utilize quaisquer palavras, a não ser sua própria palavra, não imagine nada. Apenas entoe, repita a palavra nas profundezas de seu espírito e, ouça-a. Concentre-se nela, com toda sua atenção.
Por que isso é tão poderoso? Basicamente, porque nos dá o espaço que nosso espírito precisa para poder respirar. Nos dá, a cada um de nós, o espaço para sermos nós mesmos. Quando você medita, você não precisa se desculpar e, você não precisa se justificar. Tudo o que você precisa fazer, é ser você mesmo, é aceitar, das mãos de Deus, a dádiva de seu próprio ser. . . E, nessa aceitação você começará a viver sua vida em harmonia, harmonia interior, porque todas as coisas em sua vida passarão a se harmonizar com toda a criação, pois você terá encontrado o seu lugar. E aquilo que é surpreendente é que o seu lugar não é nada menos do que o de estar enraizado e fundamentado em Deus.

Texto original em inglês

An excerpt from John Main OSB, “Space to Be,” MOMENT OF CHRIST (New York: Continuum, 1998), pp. 92-93.

To know ourselves, to understand ourselves and to . . .get ourselves and our problems in perspective, we simply must make contact with our spirit. All self-understanding arises from understanding ourselves as spiritual beings, and it is only contact with the universal Holy Spirit that can give us the depth and the breadth to understand. . .The way to this is not difficult. It is very simple. But it does require serious commitment. . .

The way of meditation is very simple. All each of us has to do is to be as still as possible in body and in spirit. . . .Learning to meditate is learning to let go of your thoughts, ideas and imagination and to rest in the depths of your own being. Always remember that. Don’t think, don’t use any words other than your own word, don’t imagine anything. Just sound, say the word in the depths of your spirit and listen to it. Concentrate upon it with all your attention.

Why is this so powerful? Basically, because it gives us the space that our spirit needs to breathe. It gives each of us the space to be ourselves. When you are meditating you don’t need to apologize for yourself and you don’t need to justify yourself. All you need to do is to be yourself, to accept the gift of your own being. . . . And in that acceptance you will begin to live your life in harmony, harmony within yourself, because everything in your life will come into harmony with all creation, because you will have found your place. And the astonishing thing is that your place is nothing less than to be rooted and founded in God.

Contando as Palavras

Contando as Palavras

 

O espaço da escrita em um jornal se define muitas vezes pelo número de palavras ou caracteres. Mas o leitor e a leitora reconhecem que escrever não é meramente a resolução de uma operação matemática, exige um outro tipo de exatidão: a de buscar um novo sentido.

Ao colaborar com o Caderno Plural, do Jornal Notícias do Dia, acerca das experiências da dança na contemporaneidade, a escrita desvela-se como um espaço de criação de sentidos para quem escreve e para quem lê. A leitora Marisa Dionísio comenta: “É muito bom poder ler ensaios tão bem escritos com tanta propriedade sobre a dança. É uma construção maravilhosa de apreciação dessa arte para um público mais abrangente em um jornal diário. Eu como dançarina e amante de vários tipos de dança me sinto presenteada por essa leitura gostosa e tão informativa.”

O novo é extraído da transformação de sentido que se dá entre o dançarino, a sua dança e a plateia. Escrever acerca da dança aqui na sua totalidade, mais do que se diz palavra por palavra, trata-se de lançar o leitor em direção ao que apreendi e que ele ainda não compreendeu ou de orientar-me, eu mesma em direção ao que vou compreender a medida que escrevo. No espaço vazio e silencioso entre o texto e o corpo de quem lê, a equação matemática dos caracteres contados transfigura-se em dança e o gesto escrito se realiza em movimento dançado.

Nas palavras da coreógrafa Zilá Muniz, doutora em Teatro e diretora do Grupo Ronda: “O papel do crítico, a meu ver, é o de mediador e colaborador que traz um olhar mais especializado sobre a dança que se produz. Neste sentido, aproxima o leitor/espectador da complexidade que é a dança e seus fluxos e qualidades inerentes de cada linguagem, de cada artista e seus procedimentos de criação. Além disso, a crítica por ser uma mediação, como processo é também uma criação que envolve composição e seus intercessores atravessam a linguagem da dança, sendo assim, mais um modo operativo de dançar com as palavras a dança que foi dançada por corpos/bailarinos.”

O olhar que lanço sobre a dança me retorna. A percepção do outro, assemelhada com Merleau-Ponty, tem como habitação o fato de que tudo o que pode me fazer ver só ocorre tendo acesso a minha experiência e entrando no meu mundo, mas que reivindica como testemunha não apenas o que vejo e escrevo mas também o olhar e a leitura do outro. Como artista, a pesquisadora Zilá Muniz salienta a relevância para o seu trabalho e do grupo o artigo/crítica do espetáculo Socorro: “A crítica foi uma ferramenta que nós do Ronda Grupo utilizamos em materiais vinculados a projetos para editais e divulgação do espetáculo. Também nos fez olhar de volta para o trabalho com uma visão distanciada e fresca ao mesmo tempo, como uma inspiração renovada.” É desse encontro entre quem escreve e quem lê que o espetáculo acaba por atribuir um espectador para além da própria dança e as palavras contadas criam um novo sentido no mundo.

Texto publicado no caderno Plural, do jornal Notícias do Dia em 1 de abril 2016-04-04; Agradeço Cristiano Prim, Dariene Pasternak, Marisa Dionísio e Zilá Muniz pela colaboração e parceria.

Ida Mara Freire, pós-doutorado em Dança, Universidade da Cidade do Cabo, África do Sul. idamara@idamarafreire.com.br