Livre para todos os públicos

Livre para todos os públicos

 

Após a bela noite de homenagem que Marta Cesar, diretora do Múltipla Dança, faz à Ana Luiza Ciscato e o lançamento dos livros Tubo de Ensaio organizado por Jussara Xavier, Vera Lucia Amaral Torres e Sandra Nunes e também o volume 5 da coleção Húmus organizado por Carlos Alberto Pereira dos Santos, espero que vocês encontrem um tempo para ler acerca dos acontecimentos do Múltipla Dança em vários lugares da cidade. Hoje sábado as 12hs tem intervenção urbana Movimento Público com Olga Gutiérrez, as 15hs Beira-Mar Norte Dança Coral com Diana Gilardenghi e Sandra Nunes, a noite no teatro Sesc Prainha estreia do espetáculo Rec(L)usadx com Elke Siedler. Amanhã último dia as 19hs na sala Espaço 2 Ceart/Udesc, espetáculo Nosotros Estamos Aqui com Olga Gutiérrez. Agradeço ao ND/Plural, Dariene Pasternak, presença ativa na divulgação do festival.

Livre para todos os públicos

Por Ida Mara Freire/ Foto: Clara Meirelles

O Festival Múltipla Dança apresentou no feriado de quinta-feira 26 de maio, intervenções e espetáculos livre para todos os públicos, demonstrando também seu compromisso de ir ao encontro do espectador.   Pela manhã o sol aquece o corpo e traz vivacidade à paisagem outonal do Parque de Coqueiros. As dançarinas Margô Assis, Thembi Rosa, Karina Collaço e Dorothé Depeauw da Dança Multiplex ora são seguidas por uma plateia   ora o espectador compõe a cena da dança oriunda de um trabalho cuidadoso com o corpo, com o lugar e com os objetos – bambu, tecidos e outras delicadezas, retiradas da aba de um chapéu ou escondidas dentro da meia – que conduzem  os participantes à leveza, à delicadeza e ao lirismo interno e externo. Em conversa com a dançarina belga Dorothé Depeauw acerca da intervenção, ela comenta que a experiência de dançar num parque se distingue de um teatro, principalmente pela proximidade entre o dançarino e o público, sem a elevação de um palco percebem com nitidez a humanidade de cada comum.

No período da tarde na praia do Campeche, em frente ao rancho da canoa, os movimentos da dança breaking do grupo Atitude Cia. de Dança de Garopaba, prendem a atenção da plateia de aproximadamente 180 pessoas. O conhecido pescador sr. Getúlio, assegura que todo artista deve ir aonde o povo está. Trazer para a comunidade o que não está visível na comunidade. As crianças   atentam-se para o figurino cujas cores preta e terracota mesclam com a areia umedecida que exige dos dançarinos destreza e resistência para controlar o gesto dançante, ritmado pela a composição musical de Davide “Nelson D” Merra e o som das ondas do mar. Outro morador da região, sr. Osmar João da Cunha, surpreende-se com os movimentos de defesa e a escalada de um dançarino nas costas de um outro, para saltar mais alto.

Mas, alto está a plateia dos prédios ao redor do pátio do TAC que testemunha de longe, o tempo que o corpo de Elías Aguirre leva para desfigurar-se em movimentos, manifestando em essência e em aparência um conflito interno de alguém que aprende a viver envenenado.

A noite chega, em um clima de contação de história, Rui Moreira habita o espaço entre o desejo de partir sem saber ao certo que destino seguir,  interage com o público  indagando sobre a juventude aos muitos jovens que assim se apresentam, e também às crianças de colo, que durante o espetáculo seus choros, balbucios, por alguns momentos chamam a atenção da plateia.   Para Rui, nada atrapalha, pelo contrário, a ação cênica criada numa atmosfera ritualística em meio de mulheres anciãs de um vilarejo em Senegal, as crianças estão presentes. Coerente com seu trabalho intitulado Co Ês (com eles),   elas:  as pessoas comuns, as mulheres, as crianças, não ficam do lado de fora. E assim, o Múltipla convida: vamos todos parquear e notar o que acontece no corpo ao equilibrar um bambu no topo da própria cabeça?   As crianças respondem: concentração! Os adultos constatam: contemplação. Perceber que quando não fazemos nada, o silêncio faz tudo dentro de nós. Essa é uma dança  livre para todos os públicos.

Publicado no Jornal Notícias do Dia: ndonlide em 27/05/2014

http://ndonline.com.br/florianopolis/plural/305975-critica-9o-festival-multipla-danca-movimenta-florianopolis-com-espetaculos-para-todos-os-publicos.html

Confira a programação completa do 9º Múltipla Dança – Festival Internacional de Dança Contemporânea de Florianópolis através do site www.multipladanca.art.br.

 

 

 

 

Múltipla Dança em Múltiplos Espaços

Múltipla Dança em Múltiplos Espaços

Por Ida Mara Freire

 

O corpo, a dança, a política, estamos aqui: parque,   praia, teatro,   universidade, Iphan… Que governo é possível? Quem aprecia a dança poderá responder, escrever, observar as possibilidades dessa questão de Olga Gutiérrez, que ecoa nas proposições do Múltipla Dança. A começar por imaginar, com Elías Aguirre, um pássaro que não voa. Reconhecer as memórias vivas narradas e cantadas nas danças de Diana Gilardenghi e Sandra Nunes. A Atitude Cia. de Dança atenta se estamos cimentando sensibilidades ou encorajando a desesperança. Será que estamos com eles? Rui Moreira explora ações cênicas da dança negra aqui e em Dakar. Elke Siedler sinaliza com vermelho a fragilidade on-off-line das relações afetivas. Marta Cesar e Jussara Xavier celebram a 9a. edição do festival, valorizando o contexto artístico em constante mudança que recusa o padrão único e abraça a inclusão ao homenagear a professora Ana Lúcia Ciscato. A cena se completa com a participação: leitor, leitora que arriscam com coragem fazer parte dessa múltipla dança.

Texto publicado no jornal Notícias do Dia 24/05/2016

Festival Múltipla Dança 2016

Festival Múltipla Dança 2016

O Múltipla Dança vem aí!
De 24 a 29 de maio, Florianópolis recebe a nona edição do Festival Internacional de Dança Contemporânea Múltipla Dança, em diversos locais da cidade, com todas as ações gratuitas.

Na programação, espetáculos, oficinas, intervenções urbanas, diálogos, lançamentos de livros, mostra de vídeos e o projeto Múltiplas Escritas.

Acompanhe a programação completa em nosso site e agende-se!