Professoras  que transformam o coração

Professoras que transformam o coração

Hoje  estamos a comemorar o dia do professor.

E quero celebrar com vocês que compartilham  comigo essa profissão.  São muitos os desafios, contradições, crescimento constante… experiências que me trouxeram até  aqui.

Nessa semana estou fazendo o lançamento do meu primeiro livro de ficção: “A duração da dor”  será na Biblioteca Comunitária Barca dos Livros” Quinta-feira dia 18 das 19hs às 20hs. Quanto aprendizado da capa ao miolo. Vocês fazem parte desse projeto. E aqui está meu convite e meu agradecimento. Venham celebrar comigo esse momento!

Também estou prestando uma homenagem para  três mulheres, fonte de inspiração no meu fazer docente.  Marianne Williamson que com seus ensinamentos acerca do Retorno ao Amor há três décadas têm me mostrado como a meditação e a oração podem sim, transformar o mundo, a começar pelo meu coração.

Hannah Arendt, Mestre da experiência do pensamento,   me inspira a cultivar  um coração compreensivo, equilibrar razão e emoção, mente e coração.

Rute, nome de livro e personagem bíblico; quanto se aprende ao estudar as suas escolhas, que demonstram que a amizade, a fidelidade, a generosidade entre as mulheres é um caminho abençoado por YAHWEH.

Foi ao meditar, ler, e refletir com elas, e   diante das nuvens  de  tempos incertos que se aproximam, ocorre-me compartilhar com vocês algumas lições que essas mestres  ensinam acerca de  como cultivar um coração compreensivo em tempos de incertezas.

Caso vocês tenham interesse,  estou dispondo o primeiro podcast de 21 episódios para cultivarmos um coração compreensivo.

Os posts relacionados ao tema que acompanham os podcasts poderão ser encontrados aqui no blog pela tag coração compreensivo   e a #meditereflitaescreva

Estou feliz de partilhar essa Jornada do saber com você. Me digam, quais são as mulheres que ensinam e inspiram vocês na transformação diária do mundo e dos seus corações?

Enviam e-mail para nós suas respostas e confirmem seus interesses de continuarem a  receber mais informações sobre a série Coração Compreensivo + recebam  um bônus surpresa.

Inscrevam-se pelo e-mail:

idamara@idamarafreire.com.br

Livro – A duração da dor

Livro – A duração da dor

Dança e Perdão

A África do Sul escolheu seguir, como corpo nacional, um caminho longo, íngreme e insólito chamado reconciliação, tendo como líder Nelson Rolihlahla Mandela. Madiba, como era carinhosamente chamado o pai da nação sul africana, acreditava que para as pessoas negras, oprimidas, serem livres era necessário que as pessoas brancas, opressoras, também o fossem. Para isso, concordando com seu amigo Desmond Tutu, reconheceu que era necessária a escolha do perdão.

Em 1976, no Brasil, ao ouvir, ver e ler as notícias da África do Sul, eu menina, me identificava com as meninas da África do Sul, e mesmo à distância, como uma personagem coadjuvante, participava do drama de algumas e do trauma de muitas outras. Os frágeis corpos negros sendo alvejados é uma imagem que me assombra até hoje. Mas ver um grupo de estudantes uniformizados dançarem toyi-toyi na linha de frente, no confronto com policiais, observar seus passos destemidos diante da morte me intrigava. Que dança é essa?

Essa pergunta me levou para a África do Sul. Em Soweto deparei-me com a arquitetura do apartheid. Caminhando de mãos dadas com a minha filha pelas ruas da Cidade do Cabo, tentei observar como o gesto do aperto de mãos entre Mandela e De Kleck era imitado pela comunidade sul-africana.

Instalada na Faculdade de Dança da UCT University of Cape Town, acompanhei a vida dos estudantes e dançarinos que por ali estavam em ensaios, aulas, estudos, pesquisas e apresentações. Após um período de oito meses de imersão etnográfica, comecei a escuta das vozes do silêncio. Convidei dançarinos de diferentes modalidades [dança africana, indiana, comunitária, balé clássico]; e líderes espirituais de religiões distintas [africana, cristã, islã e judaísmo] para falarem de suas experiências com o toyi-toyi, o perdão, o silêncio e a criança como metáforas da esperança.

Essa escuta revelou um rico repertório de depoimentos, informações e confissões. O que fazer com essas palavras? Relatos? Relatórios? Artigos? Vieram ensaios, danças e conversas dançadas. E, agora, apresento aqui o meu ritual de iniciação na literatura: ficcionar poeticamente a dura realidade do apartheid.

Dez personagens centrais, entre eles estão dançarinas, professores, policiais, mães, líderes espirituais, jovens, pessoas cujas vidas são marcadas pelo regime do apartheid e que tentam juntar as peças para compreender os desafios da reconciliação. Para uns, o perdão se configura como o primeiro passo para se reconciliar consigo mesmo. Para outros, o perdão se apresenta como a possibilidade de assumir um compromisso com o ser no mundo.

Cada personagem apresenta seus dilemas psicológicos, filosóficos, espirituais, intelectuais, políticos, afetivos, artísticos e existenciais que envolvem a vida e a morte. O que se põe a ver é a vida com seus desafios, que simultaneamente oferece a cada ser atitudes criativas e contemplativas no corpo, na dança e na meditação, espaços sagrados para a reconciliação. Desses lugares redescobrimos a alegria, a liberdade e a compreensão.

O conto “A duração da dor, primeiro volume da série “Dança e Perdão” convida a leitora e o leitor para uma jornada criativa acerca das possibilidades do perdão.

Sinopse

Na última década do regime apartheid na África do Sul, Sharmila Rama, ainda uma menina, testemunha o violento evento conhecido como Cavalo de Troia que ocorre em Atlone, subúrbio da Cidade do Cabo. Dez anos depois, no silêncio do seu quarto, enquanto tenta acender uma lamparina, atormenta-a a culpa por ter negado ajuda para Indra Kallil, seu primo e melhor amigo, minutos antes de ele ser morto no confronto entre estudantes e policiais. Kawany Maal, sua professora de dança clássica Odissi, a ajuda a buscar no Sagrado a compreensão da sua fenomenologia da dor. A dança e a meditação são as fontes de sabedoria através das quais ela ilumina a razão para perdoar a si mesma e avivar a chama da alegria de viver.

Comentários das Leitoras

“ Fiquei muito entusiasmada com a leitura. Quanta sensisibilidade e potencial na sua descrição… Ao percorrer os escritos fui tomada pela vida, pela dor e angústias de Sharmila, mas igualmente pela busca do lugar do perdão….e, a dança de forma singular, arrastando-a para as alegrias da vida! Confesso que me encontrei muito nessa passagem…
‘Quando está a dançar sente-se chamada pelo seu nome…’ Quanta lindeza !!!”

Danieli Alves Pereira Marques [Doutora em Educação Física pela UFSC. Professora efetiva da Universidade Estadual de Roraima (UERR). Atua na área de dança e educação, corpo e linguagem]

“Enternecedor!!!! Uma ponte construída entre a África e a Índia, com uma intensidade delicada e escrita primorosa.
E sobre a dor… assim como a dança Odissi é uma importante parte dos rituais diários de adoração, a dor faz parte da essência humana.
É admirável como conseguiu transcrever com leveza e “beleza” este sentimento que as vezes escondemos tanto. Acredito que a dança e a meditação sejam o veículo para essa compreensão e (in)diretamente para a compreensão de si mesmo, e foi exatamente o que senti lendo seu conto.
Confesso que me vi na menina Sharmila em alguns momentos…
Lembrei de Gibran:
“… e passaríeis com serenidade os invernos das vossas mágoas. Muita da vossa dor é escolhida por vós. É a poção amarga com a qual o médico dentro de vós cura o vosso interior doente.”
Lindo conto! Uma poesia para se falar da dor e das transformações interiores que este sentimento traz!”

Adriane Martins [Professora de Dança e Dançarina de Dança Indiana]

Participe do Lançamento: 

Barca dos Livros dia 18/10/2018 – das 19h às 20:30.

 

Vamos Meditar Setembro

Vamos Meditar Setembro

Leitura  da Semana

A pergunta de Jesus “E você, quem você diz que eu sou?” é o presente que o rabbuni nos dá: seu próprio questionamento confere a “graça do guru”.
Em todas as épocas sua pergunta é o presente que espera ser recebido. Perene é o seu poder de simples e sutilmente despertar o autoconhecimento. São Tomé se utiliza do tempo presente quando fala da Ressurreição. Podemos entender que está dizendo que a ressurreição… transcende todas as categorias de tempo e de espaço. De modo semelhante os ícones da ressurreição na tradição ortodoxa sugerem a mesma transcendência e mostram que o poder que ressuscitou Jesus está presente e sempre ativo.
O trabalho essencial do mestre espiritual é apenas esse: não o de nos dizer o que fazer, mas nos ajudar a enxergar quem somos. O Eu que passamos a conhecer através da graça não é um pequeno ego separado e isolado que se apega às suas recordações, desejos e temores. Trata-se de um campo de consciência semelhante e indivisível em relação à consciência que é ao mesmo tempo o Deus cósmico e a revelação bíblica: o grande Eu Sou.

original em inglês:
An excerpt from Laurence Freeman OSB, JESUS: THE TEACHER WITHIN (New York: Continuum, 2000).

The question that Jesus asks, “And who do you say I am?” is the rabbuni’s gift to us: its very asking bestows the “grace of the guru.”

In every era his question is the gift waiting to be received. Its power to simply, subtly awaken self-knowledge is perennial. St Thomas uses the present tense when he speaks of the Resurrection. He can be understood to be saying that the resurrection. . . transcends all categories of space and time. In a similar way icons of the resurrection in the Orthodox tradition suggest the same transcendence and show that the power that raised Jesus is presently and continuously active.

The essential work of a spiritual teacher is just this: not to tell us what to do but to help us see who we are. The Self we come to know through grace is not a separate, isolated little ego-self clinging to its memories, desires and fears. It is a field of consciousness similar to and indivisible from the consciousness that is the God of cosmic and biblical revelation alike: the one great I AM.

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração “Maranatha”. Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.