Imersão – Liberte seu coração

Imersão – Liberte seu coração

Aqui está um convite especial.
Venha participar  da “Imersão Total  – Liberte seu coração #3 passos para transformar a dor e vivenciar a alegria.” E aprenda a reconhecer, expressar e transformar a sua dor. 
Facilitadoras:
Ida Mara Freire * Milu Leite * Telma Lia de Souza.
Data 18/05/2019
Horário 9h – 16h 
Local Estação Corpo 
Em breve, estaremos disponibilizando mais informações. Mas, caso você sinta o chamado para participar,  entre  em contato, reserve seu lugar  e, desfrute de condições  especiais de investimento.  Lembre-se, as vagas são limitadas.  
Chegou a hora de escutar seu coração…
Abraço com alegria,
Ida

Vamos Meditar – Abril

Vamos Meditar – Abril

Sábado da Quinta Semana da Quaresma
Leitura de Sábado, 13 Abril 2019
D. Laurence Freeman

João 11, 45-56

Não percebeis que é melhor um só homem morrer pelo povo do que perecer a nação inteira?

Quando criança, fui educado na riqueza da fé católica. Seu simbolismo poderoso abriu novas dimensões da realidade para mim. Tinha uma imagem de Deus tão madura quanto era possível naquela idade. Cada vez mais, porém, eu me relacionava com aquele ser distante, eterno observador do alto, supostamente amoroso mas também assustadoramente frio, uma construção de nosso imaginário coletivo, mais ou menos como o ladrão de banco se relaciona com a câmera de segurança.

“Quando eu era criança, eu falava como criança, compreendia como criança, pensava como criança: mas quando me tornei um homem, deixei de lado as coisas de criança.” São Paulo insiste que devemos amadurecer nossa religiosidade e entrar na realidade, não mais na construção, mas da dimensão divina. Estas palavras do Evangelho de hoje são do Sumo Sacerdote, que, com a crueldade sempre presente nos corredores do poder, nos dá uma chave para a maturação de nosso entendimento da história da Páscoa. Esta nova versão em breve vai acelerar aqueles dentre nós que estão acompanhando a liturgia.

Quando criança, recebi uma explicação simples, na verdade, simplificada demais, desta história que estilhaça o mito. Redenção do pecado. O sofrimento e a morte de Jesus, o sacrifício do cordeiro inocente, era explicado como o pagamento de uma dívida da humanidade para com um divino e amoroso Criador. Se você perguntasse qual era a dívida, contavam-lhe a história do jardim do Éden e o fatal pedaço de fruta que trouxe morte e miséria à condição humana. Nesta configuração, era uma inversão da história do Papai Noel, que lhe dá alguma coisa em troca de nada. Enquanto Deus que é Pai pune as pessoas por coisas que elas não fizeram e que chama de pecado original. Como uma dívida no cartão de crédito que você não consegue pagar, a culpa vai crescendo, ficando cada vez maior.

A partir de uma certa idade e um certo nível de reflexão, isto se torna um insulto à inteligência da maioria das pessoas. Elas procuram uma explicação melhor ou partem em busca da verdade numa outra direção totalmente diferente. O comentário do Sumo Sacerdote ajuda. Expõe uma dinâmica universal em toda a sociedade humana e em todos os relacionamentos públicos. O pensador francês René Girard a reconhece como um mecanismo de bode expiatório, em que, num momento crítico, um grupo em conflito acusa de culpado por seus infortúnio uma vítima inocente – que é sacrificada, trazendo uma paz temporária e, em geral, é depois divinizada. Ainda fazemos isso com judeus, homossexuais, imigrantes, enfim, qualquer um que seja o “outro” para a maioria.

A Paixão de Cristo reflete esta dinâmica universal, mas unicamente da perspectiva da vítima. A máscara é exposta – embora, por ser um mecanismo tão útil, continuemos a usá-lo, escolhendo não ter consciência do que estamos fazendo. A Quaresma e a meditação podem mudar esta escolha e tornar-nos conscientes de nossos atos e de qual é nossa verdadeira relação com o Pai. O problema não é com a natureza divina, mas com a psique humana. Como fazer as pessoas crescerem e assumirem responsabilidades por si mesmas? Tratando-as como adultas. A história da Páscoa é para gente grande.

No contexto da multidão, porém, seres humanos agem como animais ou crianças pequenas. Seguimos os fortes e maltratamos os fracos, caso nos pareça que esta é a coisa mais segura para nós. A história que em breve será recontada revela a imensa solidão da alternativa à multidão. Mostra como a experiência pessoal e o mito se fundem. Rejeição, sofrimento, morte e túmulo são provações. Encaremos este fato. Mas não é a história inteira, nem, tampouco, felizmente, o fim da história.

Texto original em inglês

Saturday Lent Week Five: John 11: 45-56

You fail to see that it is better for one man to die for the people, than for the whole nation to be destroyed.

As a young boy I was brought up in the richness of Catholic faith. Its powerful symbolism opened new dimensions of reality for me. I had as mature an image of God as I could at that age. Increasingly, though, I related to this distant, elevated ever-observing, supposedly loving and yet terrifyingly cold construct of our collective imagination a bit like a bank robber would to a surveillance camera.

“When I was a child, I spoke as a child, I understood as a child, I thought as a child: but when I became a man, I put away childish things.” St Paul insists that we have to grow up religiously and break through into the reality, not the construct, of the divine dimension. These words from today’s gospel come from the High Priest who, with a political ruthlessness ever present in the corridors of power, gives us a key to this maturation of our understanding about the Easter story. This re-telling is soon to go into high gear for those of us following the liturgies.

As a child I was given a simple, in fact a greatly over-simplifying, explanation of this myth-shattering story. Debt-redemption. The suffering and death of Jesus, the innocent lamb-sacrifice, was explained as the paying off a debt that humanity owed to a good and loving Creator. If you asked what the debt was, you were told the story of Eden and the fatal piece of fruit that brought death and misery into the human condition. In that form it was an inversion of the Santa Claus story. Father Christmas gives you something for nothing. God the Father punishes people for things they didn’t do and calls it original sin. Like a credit card debt you can’t pay off, the guilt just kept getting bigger and bigger.

After a certain age and level of reflection this becomes an insult to most people’s intelligence. They look for a better explanation or they go off looking for the truth in another direction altogether. The High Priest’s comment helps. It exposes a universal dynamic in every human society and all communal relationships. Rene Girard, the French thinker, recognised it as a scapegoat mechanism whereby in a time of crisis a group in conflict blames its woes on an innocent victim – who is sacrificed, brings a temporary peace and is often later divinised. We still do it with Jews, gays, immigrants, anyone who is ‘other’ to the majority.

The Passion of the Christ reflects this universal dynamic, but does so uniquely from the victim’s perspective. The mask is exposed – although, because it is such a useful mechanism, we continue to use it, choosing to be unconscious of what we are doing. Lent and meditation are able to change this choice and make us conscious of what we are doing and what our true relationship with the Father is. The problem is not with the divine nature but with the human psyche. How can you help people to grow up and take responsibility for themselves? By treating them as adults. The Easter story is for grown-ups.

Inside the crowd mentality, however, humans act like animals or young children. We go with the strong and trample the weak if that seems the safest thing for us to do. The story we will soon be re-telling reveals the huge solitariness of the alternative to the crowd. It shows how personal experience and myth merge. Rejection, suffering, death and the tomb are solitary ordeals. Let’s face it. But it is not the whole story, nor, happily, is it the end of the story.

“Qual a diferença entre realidade e irrealidade?

“Qual a diferença entre realidade e irrealidade?

“A verdadeira tragédia de nossos tempos é que estamos tão cheios de desejos, por felicidade, por sucesso, por prosperidade, por poder, quaisquer que sejam eles, que estamos sempre nos imaginando como poderíamos ser.”

Vamos meditar sábado sobre esse assunto. Nossos encontros mensais estão iniciando. O objetivo do nosso Grupo é oferecer um espaço para praticar a meditação acompanhado de outras pessoas que estão trilhando o mesmo caminho da experiência contemplativa. Também é um momento para encorajar a prática diária. Fazemos parte de uma comunidade mundial, acesse o site para conhecer melhor:

Eis aqui a reflexão dessa semana. Crescer em Deus.

“Qual a diferença entre realidade e irrealidade? Acredito que uma maneira pela qual poderemos entender isso, é a de enxergar a irrealidade como produto do desejo. Uma coisa aprendemos com a meditação, abandonar o desejo, e aprendemos porque sabemos que somos convidados a viver integralmente o presente momento. A realidade exige a imobilidade e o silêncio. Esse é o compromisso que assumimos ao meditar. Tal como todos podemos descobrir por experiência própria, na imobilidade e no silêncio, aprendemos a nos aceitar assim como somos. Isso soa muito estranho aos ouvidos modernos, principalmente aos modernos cristãos, que foram educados para praticar muito esforço, ansiosamente: “Eu não deveria ser ambicioso? Que será de mim se eu for uma má pessoa, eu não deveria desejar ser melhor?
A verdadeira tragédia de nossos tempos é que estamos tão cheios de desejos, por felicidade, por sucesso, por prosperidade, por poder, quaisquer que sejam eles, que estamos sempre nos imaginando como poderíamos ser. Tão raramente acontece de chegarmos a nos conhecer tal como somos e, de aceitarmos nossa posição atual. Mas, a sabedoria tradicional nos diz: saiba que você é e, que você é como é. Pode muito bem acontecer de sermos pecadores e, se assim for, é importante que saibamos que o somos. Muito mais importante para nós, porém, é sabermos por experiência própria que Deus é a base de nosso ser, e que nele estamos arraigados e fundamentados. . . Essa é a estabilidade de que todos precisamos, não do esforço e da dinâmica do desejo, mas, da estabilidade e da imobilidade do enraizamento espiritual. Em nossa meditação e em nossa imobilidade em Deus, cada um de nós está convidado a aprender que nele temos tudo que precisamos. [….] Leitura de Domingo, 17 Março 2019. John Main OSB, O CAMINHO DO NÃO CONHECIMENTO (Petrópolis, Ed. Vozes, 2010)”

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração “Maranatha”. Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.
 
original em inglês:
From John Main OSB, “Growing in God,” THE WAY OF UNKNOWING (New York: Crossroad, 1990), pp. 79-81.

What is the difference between reality and unreality? I think one way we can understand it is to see unreality as the product of desire. One thing we learn in meditation is to abandon desire, and we learn it because we know that our invitation is to live wholly in the present moment. Reality demands stillness and silence and presence. And that is the commitment that we make in meditating. As everyone can find from their own experience, we learn in the stillness and silence to accept ourselves as we are. This sound very strange to modern ears, above all to modern Christians who have been brought up to practice so much anxious striving: “Shouldn’t I be ambitious? What if I’m a bad person, shouldn’t I desire to be better?”
The real tragedy of our time is that we are so filled with desire, for happiness, for success, for wealth, for power, whatever it may be, that we are always imagining ourselves as we might be. So rarely do we come to know ourselves as we are and to accept our present position. But traditional wisdom tells us: know that you are and that you are as you are. It may well be that we are sinners and if we are, it is important that we should know that we are. But far more important for us is to know from our own experience that God is the ground of our being . . . This is the stability that we all need, not the striving and movement of desire, but the stability and the stillness of spiritual rootedness. Each of us is invited to learn in our meditation, in our stillness in God, that we already have everything that is necessary. [….]

Medite por Trinta Minutos
Lembre-se: Sente-se. Sente-se imóvel e, com a coluna ereta. Feche levemente os olhos. Sente-se relaxada(o), mas, atenta(o). Em silêncio, interiormente, comece a repetir uma única palavra. Recomendamos a palavra-oração “Maranatha”. Recite-a em quatro silabas de igual duração. Ouça-a à medida que a pronuncia, suavemente mas continuamente. Não pense, nem imagine nada, nem de ordem espiritual, nem de qualquer outra ordem. Pensamentos e imagens provavelmente afluirão, mas, deixe-os passar. Simplesmente, continue a voltar sua atenção, com humildade e simplicidade, à fiel repetição de sua palavra, do início ao fim de sua meditação.